Camisa 9 segue amaldiçoada

Camisa 9 segue amaldiçoada

Centroavantes da Seleção Brasileira não fazem gol nas Copas do Mundo e América desde Fred em 2014. São 19 partidas de jejum

Marcos Paulo Lima Enviado especial
postado em 24/06/2019 00:00
 (foto: Nelson Almeida/AFP)
(foto: Nelson Almeida/AFP)


São Paulo ; Quarenta e oito minutos do segundo tempo na Arena Corinthians. Dono da camisa 9 da Seleção Brasileira pela segunda competição oficial consecutiva, Gabriel Jesus é derrubado dentro da área pelo goleiro Gallese. Pega a bola, coloca na marca do pênalti, parte para a cobrança com um fardo nas costas e desperdiça a oportunidade de encerrar a via crucis. Jesus passou a Copa da Rússia inteira sem marcar contra Suíça, Costa Rica, Sérvia, México e Bélgica. Segue sem estufar a rede na Copa América após duelos com Bolívia, Venezuela e Peru.

O dedo indicador está apontado para Gabriel Jesus, mas a maldição da camisa 9 dura desde 23 de junho de 2014, quando Fred fez o terceiro gol do Brasil sobre Camarões, no Mané Garrincha, em Brasília, pela terceira rodada da fase de grupos da Copa-2014. Desde então, Diego Tardelli usou a 9 na Copa América 2015; Jonas na edição centenária de 2016; Gabriel Jesus no Mundial da Rússia 2018 e nesta Copa América 2019; mas o jejum dura 19 partidas.

Os dois números míticos da Seleção começaram a Copa América com os atuais donos sentados no banco ; o 9, Gabriel Jesus, e o 10, Willian. O meia entrou em campo no segundo tempo contra o Peru e marcou. O atacante terminou a goleada por 5 x 0 agachado. Se pudesse, enfiaria a cara dentro do gramado de tanta vergonha. Tentava entender por que desperdiçou o pênalti em uma partida tão fácil, resolvida àquela altura.

;Não estou abalado, mas triste e chateado, sim. Eu venho treinando muito bem, focado nos pênaltis, não é à toa que sou o segundo cobrador (o primeiro é Philippe Coutinho, que havia sido substituído por Willian) num grupo de tanta qualidade. Óbvio que eu poderia ter batido melhor, mas não acho que foi um pênalti perdido, mas, sim, defendido. O goleiro foi muito bem;, lamentou Gabriel Jesus depois da partida de sábado na Arena Corinthians.

Apesar da falta de gol em copas, Gabriel Jesus acha que tem feito bom papel neste torneio continental. ;Óbvio que sempre quero fazer gol, mas, às vezes, não dá. Eu venho buscando mais o gol, finalizando, aprimorando. Estou feliz com meu desempenho individual e coletivo;, avaliou.

A responsabilidade de usar a camisa 9 aumenta na Seleção e no Manchester City a partir da próxima temporada. Pep Guardiola decidiu que o brasileiro assumirá o algarismo em 2019/2020. Ele até comentou a escolha em entrevista às redes sociais do atual bicampeão da Premier League. ;Será uma honra usar a camisa número 9 do City e farei isso com muito orgulho. É o número que eu uso com o Brasil;, lembrou o atacante.

Blindagem

Carinho não faltará para que Gabriel Jesus tente outra vez exorcizar a maldição da camisa 9 nas quartas de final da Copa América, quinta-feira, às 21h30, na Arena do Grêmio, em Porto Alegre. ;Fiquei triste por ele não fazer o gol, porque jogou muito. Tem de se orgulhar muito da forma que jogou. Estava torcendo por ele. Não seria determinante para o resultado, mas torci pelo grande jogo que ele fez;, disse Tite.

Sombra de Gabriel Jesus desde a Copa da Rússia, Roberto Firmino atuou ao lado do concorrente no ataque desde o início do triunfo sobre o Peru e deu força ao companheiro. ;Sabemos do cara que é o Gabriel, do grande jogador que é. Ele tinha de bater. Infelizmente, não saiu o gol, mas é bola para frente, tem de ficar tranquilo. No próximo jogo, ele vai fazer;.


16 gols
Marca de Gabriel Jesus pela Seleção Brasileira: sete nas Eliminatórias e nove em amistosos


Próximo rival do Brasil

Equador
Se vencer o Japão, ficará em terceiro lugar do Grupo C e pegará o Brasil nas quartas de final.

Japão
Se superar o Equador, garantirá a terceira posição do grupo e duelará
contra o Brasil.

Paraguai
Se Equador e Japão empatarem hoje, o Paraguai enfrentará a Seleção, devido ao saldo de gols.

Uruguai
Enfrentará o Brasil em caso de derrota para o Chile e triunfo do Japão, que precisa tirar uma diferença de oito gols de saldo.

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