Lista Árabe formaliza apoio a Gantz

Lista Árabe formaliza apoio a Gantz

Pela primeira vez desde 1992, os partidos que representam os israelense de origem palestina endossam um candidato a primeiro-ministro. Negociações para a formação do governo esbarram em vetos recíprocos

postado em 23/09/2019 00:00
 (foto: Menahem Kahana/AFP)
(foto: Menahem Kahana/AFP)


As consultas para a formação do próximo governo de Israel começaram ontem com a quebra de um precedente. Pela primeira vez em mais de 25 anos, os partidos que representam os cidadãos de origem árabe formalizaram o apoio a um nome para o cargo de primeiro-ministro. Empenhados em tirar do poder o direitista Benjamin Netanyahu, a quem acusam de excluí-los da vida política, eles indicaram o líder do partido centrista Kahol Lavan, o general (reformado) Benny Gantz. Nas eleições de terça-feira, ele formou a maior bancada na Knesset (parlamento), com 33 deputados, dois a mais que o Likud, de Netanyahu. Nenhum dos dois líderes, porém, reúne aliados suficientes para compor maioria, e a saída possível é um difícil acordo de coalizão.

;Na era Netanyahu, nos tornamos ilegítimos na política israelense. Assim, buscamos impedir que ele siga como premiê;, disse o líder da Lista Unida, Ayman Odeh, depois de reunir-se com o presidente Reuven Rivlin. ;Recomendamos o nome de Benny Gantz para que forme o próximo governo.; A mensagem foi reforçada por Ahmad Tibi: ;Hoje, escrevemos a história. Faremos o que for necessário para Nentanyahu cair;. Da última vez em que apoiaram alguém, em 1992, os árabes-israelenses endossaram o líder trabalhista Yitzhak Rabin, eleito com a plataforma de promover a paz com os palestinos.

No parlamentarismo israelense, é o presidente quem convoca um líder partidário para montar o gabinete. Pelo costume, é chamado aquele que comanda a maior bancada, mas o chefe de Estado pode escolher outro, caso esteja convencido de que tem melhores possibilidades de formar maioria entre os 120 deputados.

A fragmentação política que paralisou o país após a eleição de abril e forçou a convocação de novo pleito se manteve após a votação de terça-feira. O bloco de centro-esquerda articulado por Gantz, incluindo os árabes, soma 57 cadeiras. Netanyahu, com os aliados de direita e de partidos religiosos, reúne 55 parlamentares. ;É preciso formar um governo estável com os dois grandes partidos;, diz Rivlin.

A ideia de um governo de união nacional foi defendida pelo general desde o anúncio dos resultados, mas a chance de uma coalizão com o Likud esbarra no veto do Kahol Lavan a dividir o poder com Netanyahu. O premiê interino, que ocupa o cargo há 10 anos, é acusado de corrupção e pode se tornar réu em três processos.

Netanyahu, por sua vez, chegou a acenar para Gantz com a proposta de um rodízio entre os dois na chefia do gabinete, mas ontem denunciou prontamente o apoio manifestado pelos árabes ao líder centrista. ;Não podemos permitir que se forme um governo com apoio de partidos que se opõem ao Estado de Israel;, afirmou.

A esperança de evitar a terceira eleição no mesmo ano é um acordo que envolva o ex-ministro da Defesa Avigdor Lieberman, que lidera os oito deputados eleitos pelo partido Yisrael Beiteinu. Direitista, porém refratário aos partidos religiosos, ele define uma coalizão apenas com Gantz e Netanyahu como a única opção que aceitaria para integrar o governo.

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