Sindicatos descartam trégua na França

Sindicatos descartam trégua na França

postado em 13/12/2019 00:00
 (foto: Sebastien Salom-Gomis/AFP

%u201CJuventude unida, abaixo Macron%u201D, diz cartaz ostentado em Saint-Herbain)
(foto: Sebastien Salom-Gomis/AFP %u201CJuventude unida, abaixo Macron%u201D, diz cartaz ostentado em Saint-Herbain)



A greve contra a reforma da Previdência, na França, entrou ontem no oitavo dia sem previsão de uma solução política. Pelo contrário, os sindicatos pediram a ampliação do movimento paredista, ao mesmo tempo que negaram a possibilidade de uma ;trégua de Natal;. ;A greve continua e lamentamos, pois não tínhamos previsto desta maneira. Percebemos que o governo não dá o braço a torcer e isto vai durar algum tempo. Não haverá trégua de Natal, exceto se o governo encontrar a razão;, afirmou o secretário-geral do sindicato CGT (trabalhadores ferroviários), Laurent Brun, à rádio France Info.

Na quarta-feira, o primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, anunciou o projeto integral de reforma da Previdência. O texto, uma versão alterada daquele defendido pelo presidente Emmanuel Macron, pretende unificar os 42 regimes diferentes do país em um sistema único. De acordo com o chefe de governo, com a mudança, ;todo mundo sairá ganhando;. O governo mantém o plano, uma das promessas de campanha de Macron, mas admitiu flexibilizar alguns pontos depois das manifestações da semana passada.

As concessões não satisfizeram os sindicatos, que pretendem intensificar a paralisação. ;Minha porta está aberta, minha mão está estendida;, declarou Philippe. Ele afirmou que os anúncios do governo eram suficientes para acabar com a paralisação no país. Os sindicatos entenderam que Macron ;ultrapassou uma linha vermelha; ao fazer anúncios sobre a aposentadoria, tema bastante controverso na França, principalmente entre os funcionários do transporte público e algumas profissões de risco. O Palácio do Eliseu teme nova crise social similar à mobilização dos ;coletes amarelos; ; um movimento de contestação que surgiu há um ano e provocou forte queda nos índices de popularidade do presidente. Por isso, o governo se apressou em estender a mão novamente aos sindicatos. ;Há espaço para negociação;, disse o ministro da Economia, Bruno Le Maire.

Macron, que participa de uma cúpula europeia, não quis comentar a situação. ;Não farei nenhum comentário nacional;, declarou a um jornalista. O primeiro-ministro ;fez uma proposta e deve agora fazer uma negociação;, acrescentou. Na manhã de ontem, em cidades como Paris a grande maioria dos transportes públicos não funcionava e os poucos que circulavam estavam lotados.





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