Antes e depois da Perestroika

Antes e depois da Perestroika

Lembra da invasão dos automóveis russos no nosso mercado na década de 1990? Conheça a história da AutoVAZ, empresa da extinta União Soviética, e compare os modelos fabricados a partir de 1970 com os atuais

» Pedro Cerqueira Especial para o Correio
postado em 05/07/2018 00:00
 (foto: Wikipedia/Reprodução)
(foto: Wikipedia/Reprodução)


A ida de vários brasileiros à Rússia, estimulados pelos jogos da Copa do Mundo, nos fez lembrar de quando os carros russos deram o ar da graça pelas ruas brasileiras. Foi nos idos de 1990, quando o país abriu as portas para a importação de veículos, que os modelos da Lada chegaram por intermédio de um importador. Foram quatro modelos vendidos no Brasil ; o sedã e a perua Laika, o jipe Niva e o hatchback Samara ;, até que um aumento brusco da alíquota de importação de veículos em 1995 foi tirando esses simpáticos automóveis do nosso mercado.

Mas a história da marca, que na verdade se chama AutoVAZ (Volzhsky Avtomobilny Zavod, algo como Fábrica de Automóveis de Volga), já que Lada foi um nome criado para a exportação dos modelos para outros países, começou em 1966 na antiga União Soviética. A empresa foi fundada com forte cooperação da Fiat, estimulada pela simpatia entre o regime soviético e a Itália, por meio de seu partido comunista. Tanto é que as instalações da fábrica foram construídas às margens do Rio Volga, numa cidade batizada de Tolyatt, em homenagem a Palmiro Togliatti, líder do Partido Comunista Italiano.

É claro que a AutoVAZ não foi a primeira fábrica de veículo da União Soviética, mas a empresa é uma concretização da demanda crescente pelo transporte individual naquele país. A ideia era produzir carros populares e de baixo custo ; como foi o Volkswagen Fusca para a Alemanha e o Citro;n 2CV para a França no período pós-guerra.


NIVA

O primeiro projeto próprio da AutoVAZ foi o VAZ-2121 Niva (valente jipinho que ainda desfila por nossas ruas), lançado em 1977. Com estrutura em monobloco, motor 1.6, câmbio de quatro marchas e tração permanente nas quatro rodas (com diferencial central), o jipe foi pensado para atender a quem morava em regiões rurais da União Soviética. O modelo faz tanto sucesso, que até hoje está em linha, devidamente atualizado.


LAIKA

O primeiro modelo a sair da linha de montagem em 1970 foi o VAZ-2101 (nosso Lada Laika), que ganhou o apelido de Zhiguli, e nada mais era do que o projeto do Fiat 124, produzido sob licença, mas com adaptações para a realidade soviética. No ano seguinte, veio a carroceria perua, denominada VAZ-2102. Uma versão mais luxuosa do sedã, o VAZ-2103, foi introduzida em 1972, podendo ser diferenciada principalmente pelos faróis circulares duplos. Naturalmente, essa família ganhou ao longo dos cerca de seus 42 anos de produção diversas modificações estéticas e mecânicas. Os motores usados, inicialmente, nas versões comuns foram 1.2 e 1.3, enquanto os mais luxuosos traziam propulsores 1.5 e 1.6. A tração foi sempre traseira.


NACIONALIZAÇÃO

Em 2001, foi formada a GM-AutoVAZ, joint-venture com a General Motors. Mas, esta parceria não duraria muito tempo, já que a Rússia passava por um processo de nacionalização de várias companhias privadas. O resultado veio em 2005, quando o controle da AutoVAZ passou às mãos da empresa estatal Rosoboronexport. Nesse mesmo ano, a marca lançou o sedã compacto Kalina, que também virou uma família de veículos no ano seguinte com a chegada de um hatch, seguido por uma perua, em 2007. Também nesse ano, foi lançada a família Priora, que nada mais era que uma reestilização dos modelos derivados do VAZ-2110.


TRANSIÇÃO

O processo de privatização da AutoVAZ teve início em 1991, na transição entre socialismo e capitalismo, que resultou na dissolução da União Soviética. Dois anos depois, a AutoVAZ era uma Sociedade Anônima. O lançamento seguinte foi só em 1995. A partir daí, os modelos produzidos são desconhecidos dos brasileiros. O sedã VAZ-2110 iniciou uma nova família, sendo a perua VAZ-2111 em 1998 e o hatch VAZ 2112 em 1999. Os modelos tinham várias versões de conteúdo. A de topo trazia assentos com aquecimento e retrovisores com ajustes elétricos. Em 1998, foi lançada a primeira minivan, o VAZ-2120 Nadezhda. Baseado no jipe Niva, o modelo tinha sete lugares e tração permanente nas quatro rodas.


RENAULT

Foi em 2008 que o envolvimento da Renault com a AutoVAZ teve início, quando o fabricante francês comprou 25% da estatal russa, que vivia uma crise. O primeiro fruto dessa parceria veio no fim de 2011, com o lançamento do sedã compacto Lada Granta, baseado no Kalina, além de um hatch em 2014. Em 2012, foi lançada a segunda geração do Kalina que na verdade, estava mais para uma reestilização.


Nesse mesmo ano foi lançada a perua Lada Largus, que é o mesmo projeto da primeira geração do Logan MCV, modelo da romena Dacia, subsidiária da Renault. A aquisição da empresa pelo grupo Renault-Nissan foi concluída em 2014, dando à aliança o controle indireto da empresa. Os lançamentos ligados à Renault continuam, com a chegada do Lada XRAY, SUV baseado no Dacia Sandero, em 2015. No mesmo ano, o sedã compacto Lada Vesta também foi lançado, com direito a uma perua um ano depois. Finalmente, em 2016, em novo investimento, a Renault (sem a participação da Nissan) torna o fabricante russo mais uma de suas subsidiárias.


SAMARA

Uma família nova, com concepção mais atual (incluindo a tração dianteira), viria em 1984. O VAZ-2108 Sputnik, lançado em outros mercados (incluindo o Brasil) como Lada Samara, também um projeto autoral da AutoVAZ. Inicialmente, o modelo chegou apenas como um hatchback de três portas, mas em 1987 veio a versão de cinco portas (denominada VAZ-2109), seguido pelo sedã VAZ-21099 em 1990. O modelo ganhou motorizações 1.1, 1.3 e 1.5, com câmbios de quatro ou cinco marchas. O modelo passou por uma leve reestilização e, até ganhou uma segunda geração, em 1997. Em 1988, a AutoVAZ ainda lançou um subcompacto, o VAZ-1111 Oka (este não veio para o Brasil).


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