Dificuldades no estilo

Anna Marina - anna.marina@uai.com.br
postado em 20/02/2014 00:00
 (foto: Fotos: Andrea Coma's/Reuters)
(foto: Fotos: Andrea Coma's/Reuters)

Até hoje não apareceu na moda internacional um nome como o do espanhol Cristobal Balenciaga, que continua influenciando criadores de todos os países lançadores de estilo. E a Espanha, que durante muito tempo promoveu a Passarela Cibeles para mostrar a criação de seus estilistas, acaba de ser apadrinhada pela Mercedes-Benz. A semana de moda da fábrica alemã de automóveis pulou de Nova York para Madri ; que continua batalhando em busca de um lugar ao sol entre os grandes eventos mundiais. A comparação do setor se fixa no Rio Fashion, que está conseguindo despertar o interesse da imprensa internacional ; mas isso não vem ocorrendo com a Espanha.

Analista do setor explica a razão: "Os estilistas espanhóis não têm dinheiro e isso é notado", explica, lembrando que existe uma desconexão entre essa indústria e a têxtil, poderosa, que vende em todo o mundo, formada pelas duas grifes internacionais: a Mango e a Zara.

Carente de apoio financeiro, o estilista espanhol fica louco ou dá asas à sua criatividade e, por isso, não vende nada. Assim, para continuar resistindo cada vez mais, apostam no seguro, em coleções básicas que sabem que vão vender. Criador nenhum quer arriscar e ficar com a coleção encalhada.

Outro inconveniente de Madri é se limitar a uma criação nacional de nível desigual, já que não atrai estilistas estrangeiros. Eles não aparecem porque não há compradores ou imprensa internacional. A maioria de presenças na sala de imprensa da Mercedes-Benz Fashion Week de Madri é latino-americana. Um dos estilistas participantes é o hispano-venezuelano Laguna, nascido em Caracas e que vive há décadas na Espanha, acredita que a diversidade das coleções apresentadas é sua força. Ele trabalha com demie-couture, um prêt-à-porter de luxo confeccionado sob medida, que faz muito sucesso no Oriente Médio, na Rússia e em outros países emergentes.

"Antes havia uma espécie de ditadura da moda, mas isso é algo do século passado. Agora, cada mulher se veste como quer, e acredito que uma passarela deve refletir isso", afirma o estilista. Sua coleção lançou violetas, rosas, beges, azuis e verdes em tons pastel, bordados com tule de seda incrustados de pepitas douradas sobre tecidos de mikado triplo que cortados em viés dão volume aos looks, alguns com plissados: tudo pensado para conseguir um efeito de elegância romântica.

Esse estilo é totalmente contrário ao universo urbano de Juanjo Oliva, ao chique retrô de Roberto Verino, as linhas minimalistas de Juan Vidal, o sabor americano de Ana Locking ou os grandes estampados de cores berrantes e formas amplas de Agatha Ruiz de la Prada. Essa grande variedade pode impedir Madri de fixar sua imagem. A opinião geral é de que falta encontrar seu ponto diferencial. Paris tem o luxo; Londres, a vanguarda; Milão, o tema mais clássico; Nova York é quase o século 22; e Madri ainda não soube encontrar sua voz. A potência da Espanha em moda internacional é muito mais da moda pronta, das lojas como Zara ou Mango, que estão presentes em todo o mundo.

Carente de apoio financeiro, "quando um estilista espanhol fica louco ou dá asas à sua criatividade, não vende nada. Até logo! Assim, para continuar vivendo cada vez mais apostam no seguro, em coisas que sabem que vão vender", diz a crítica de moda do jornal El Pais, explicando certa falta de risco. Outro inconveniente de Madri é se limitar a uma criação nacional de nível desigual, já que não atrai estilistas estrangeiros.

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