Alain Resnais

Adeus ao mestre

Morre Alain Resnais, um dos diretores mais criativos do cinema contemporâneo. Pioneiro da nouvelle vague, o francês influenciou várias gerações de colegas, entre eles Glauber Rocha

Carolina Braga
postado em 03/03/2014 00:00
 (foto: Yves Herman/Reuters)
(foto: Yves Herman/Reuters)

Um dos nomes mais importantes da nouvelle vague, o movimento francês que renovou o cinema mundial partir do final da década de 1950, o diretor Alain Resnais morreu sábado, aos 91 anos, em Paris. O anúncio foi feito por Jean Louis-Livi, produtor dos três últimos filmes do artista.

Apesar da idade avançada, Resnais continuava em atividade. Com Hiroshima, meu amor (1959) e O ano passado em Marienbad (1961), ele influenciou várias gerações de colegas. Seu último longa, Aimer, boire et chanter, ainda sem título oficial em português, foi exibido no mês passado no 64; Festival de Berlim, na Alemanha. O longa levou o Prêmio Alfred Bauer, entregue pelo júri internacional. Coube ao ator André Dussollier receber o Urso de Prata em nome de Resnais.

O ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, lamentou a morte do diretor. ;Era um grande talento, conhecido mundialmente;, declarou. Guilles Jacob, presidente honorário do Festival de Cannes, citou uma frase de Resnais para se despedir dele: ;Fazer filmes é bom, mas ver filmes é muito melhor;.
O ator Pierre Arditi classificou Resnais como artista completo, ;one man band;. E completou: ;Era um homem de maturidade extraordinária e grande cultura;.

Juventude Em 2012, às vésperas de completar 90 anos, Resnais foi definido pela crítica Dani;le Heymann como o autor mais jovem do cinema francês. A inquietação dos tempos da nouvelle vague permanecia. Na época, ele exibia Vous n;avez encore rien vu (Vocês ainda não viram nada) no Festival de Cannes.

Resnais convocou importantes atores de seu país ; Sabine Azéma e Mathieu Amalric, entre outros ; para o longa sobre a reencenação de Eurídice. Nessa trama, um agente anuncia a artistas a morte do diretor Antoine d;Anthac, com quem eles haviam encenado a peça em diferentes épocas. A trupe se reúne na mansão de Anthac para assistir a um videotestamento: outra montagem de Eurídice, apresentada por atores na casa dos 20 anos. Uma espécie de testamento do próprio Resnais, Você não viu nada traz fascinante reflexão sobre a morte e a passagem do tempo.

O recente Aimer, boire et chanter dialoga também com esses temas. O filme conta a história de casais dedicados ao teatro amador que ensaiam uma peça. As três mulheres ; interpretadas por Sabine Azema, Sandrine Kiberlain e Caroline Silhol ; estão interessadas no personagem George, que nunca aparece. Só se sabe que ele está doente e tem pouco tempo de vida.

; Principais filmes


; Aimer, boire et chanter (2014)
; Vocês ainda não viram nada! (2012)
; Ervas daninhas (2009)
; Medos privados em lugares públicos (2006)
; Na boca, não (2003)
; Amores parisienses (1997)
; Smoking e no smoking (1993)
; I want to go home (1989)
; Melô (1986)
; Morrer de amor (1984)
; A vida é um romance (1983)
; Meu tio da América (1980)
; Providence (1977)
; Stavisky... (1974)
; Eu te amo, eu te amo (1968)
; A guerra acabou (1966)
; Muriel (1963)
; O ano passado em Marienbad (1961)
; Hiroshima meu amor (1959)

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação