Yellen faz o dólar subir 0,3%

Yellen faz o dólar subir 0,3%

Mercado vê sinal de alta de juros após declaração da presidente do BC norte-americano. Divisa vai a R$ 2,349

postado em 20/03/2014 00:00
 (foto: Brendan Smialowski/AFP)
(foto: Brendan Smialowski/AFP)

Após passar boa parte do dia em queda, o dólar fechou ontem com alta de 0,30% ante o real, diante dos sinais de que o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, poderá aumentar as taxas de juros já no próximo ano ; o que levaria investidores estrangeiros a saírem do Brasil. A moeda norte-americana terminou a sessão cotada a R$ 2,349 na venda, invertendo o movimento de recuo dos três pregões anteriores. ;O aumento dos juros (nos EUA) diminuiria muito os fluxos de capital para o Brasil. E aí, é dólar para cima;, explicou o economista-chefe do Espirito Santo Investment Bank, Jankiel Santos.

A divisa ganhou força em quase todos os mercados globais depois de a presidente do Fed, Janet Yellen, ter admitido que os juros poderão subir num prazo de seis meses depois do encerramento do programa de estímulos à economia mantido pela instituição, que começou a ser reduzido gradualmente no fim de 2013. Atualmente, as taxas estão entre zero e 0,25% ao ano.

Analistas e investidores interpretaram a declaração como um recado de que a alta poderá começar já em 2015, antes do que vinha sendo previsto até agora. ;O mercado reagiu imediatamente às palavras de Yellen, que foram mais austeras do que se esperava;, disse a estrategista da Bulltick Capital Markets, Kathryn Rooney Vera.

A entrevista da presidente do Fed foi dada ao fim da reunião de política monetária da instituição, a primeira presidida por ela, que assumiu o cargo em fevereiro. Os juros dos títulos do Tesouro dos EUA também subiram fortemente no mercado secundário.

Estímulos


Até aquele momento, o mercado caminhava na direção contrária, reagindo ao tom moderado do comunicado emitido pelo Fed depois do encontro. Como já era esperado, a instituição anunciou mais um corte de US$ 10 bilhões no programa de estímulos, que fará o volume de recursos que vem injetando na economia cair para US$ 55 bilhões por mês, e deixou claro que reduções adicionais continuarão a ser feitas gradualmente, conforme caminho definido na gestão do antecessor de Yellen, Ben Bernanke.

Apesar disso, a autoridade monetária manteve os juros perto de zero e informou que eles poderão permanecer baixos por um bom período, mesmo depois que o nível de atividade econômica retomar o fôlego. O humor dos investidores, porém, mudou com a entrevista de Yellen. Questionada sobre quando as taxas seriam elevadas ; após o fim do programa de estímulos ;, ela respondeu: ;A linguagem que utilizamos no comunicado é ;horizonte relevante;. Esse é um termo difícil de definir, mas provavelmente significa algo em torno de seis meses, ou algo do tipo;. Foi a senha para que o dólar começasse a subir.


Desemprego

O Fed anunciou que passará a levar em conta uma série ampla de indicadores, e não apenas a taxa de desemprego, que vem caindo, para avaliar a força da economia e decidir o momento de elevar as taxas de juros. Até agora, o órgão considerava um índice de desocupação de 6,5% como uma espécie de gatilho para indicar a mudança na política monetária expansionista seguida desde a
crise de 2008.

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