Mais uma ameaça ao ajuste fiscal

Mais uma ameaça ao ajuste fiscal

Antecipação da última parcela do acordo salarial feito com os servidores em 2012, prevista para o ano que vem, teria impacto de R$ 10 bilhões aos cofres públicos

» DECO BANCILLON » ANTONIO TEMÓTEO
postado em 10/05/2014 00:00
 (foto: Janine Moraes/CB/D.A Press - 23/7/13)
(foto: Janine Moraes/CB/D.A Press - 23/7/13)

Caso o governo se renda à pressão dos mais de 700 mil servidores públicos federais que ameaçam cruzar os braços a partir de 10 de junho ; dois dias antes do início da Copa do Mundo ;, o custo fiscal da medida será de, no mínimo, R$ 10 bilhões, segundo especialistas. Os funcionários reivindicam que a terceira parcela do reajuste acordado em 2012 seja antecipada de 2015 para este ano.

Para José Matias-Pereira, professor de administração pública da Universidade de Brasília (UnB), atender a todos os pleitos do funcionalismo seria ;abrir as torneiras do gasto público; em um momento em que todas as atenções estão voltadas para o comportamento ;preocupante; da política fiscal. ;Do ponto de vista da gestão das finanças públicas, atender a esses pedidos poderia implicar grave risco ao país;, disse o professor.

Sem espaço

Matias-Pereira avalia que ;não é recomendado, neste momento, que o governo ceda a essas pressões;. A mesma opinião tem o especialista em finanças públicas Raul Velloso, que não vê espaço no Orçamento para que os pleitos sejam atendidos. ;Diante do atual quadro fiscal, não vejo como separar mais dinheiro para o funcionalismo sem comprometer seriamente as contas públicas;, disse.

O setor público consolidado, que reúne os governos federal, estadual e municipais, além das empresas estatais, exceto Petrobras e Eletrobras, terá que economizar neste ano 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) como forma de fazer o superavit primário. Dessa meta, 1,6% terá de ser feita pelo governo central (Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social). ;Ano passado, para conseguir fazer o mesmo 1,9% de primário, o governo teve que contar com diversas receitas extraordinárias;, disse Velloso.

Reivindicações

Além da antecipação da parcela do reajuste de 5%, os sindicalistas reivindicam a correção dos valores do auxílio-alimentação e o cumprimento de acordos assinados com o governo ainda em 2012, como o que prevê gratificação pelo trabalho de servidores em regiões de fronteiras do país, segundo a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef).

O secretário-geral Condsef, Sérgio Ronaldo da Silva, explicou que o objetivo dos trabalhadores federais é conseguir negociar um novo aumento com o Executivo em 2015, o que só será possível se a parcela do ano que vem for paga agora. Uma nova assembleia da categoria está marcada para 30 de maio, quando decidem sobre a paralisação por tempo indeterminado. No Ministério da Cultura já fecharam questão: cruzam os braços a partir de segunda-feira.

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