Nova alquimia eletrônica

Nova alquimia eletrônica

MAÍRA DE DEUS BRITO
postado em 10/05/2014 00:00




O novo disco da Nação Zumbi leva o nome do grupo pernambucano. Não é por acaso. ;Tem esse tom de reafirmação mesmo. Vinte anos da nossa fundação se passaram (com o lançamento do CD de estreia, Da lama ao caos) e estamos trazendo um álbum diferente de tudo o que já fizemos. Nosso maior mote é se renovar a cada disco. É uma evolução natural;, diz o vocalista Jorge Du Peixe, ao explicar a importância dos sete anos sem um álbum de inéditas (o último foi Fome de tudo, de 2007). ;Esse hiato acrescentou muita coisa ao nosso trabalho. Quando você sai da zona de conforto, acaba visitando universos sonoros distintos. Estávamos em outras perspectivas musicais e isso se reflete em Nação Zumbi. Ele traz esse frescor;.

Os novos ventos da Nação começaram a soprar, na realidade, em 2011, quando o CD começou a ser produzido. No quintal da casa do guitarrista Lucio Maia, nasceram as primeiras letras e melodias, que ganharam corpo no ano seguinte, com as gravações no estúdio Monoaural (RJ), dos músicos Berna Ceppas e Kassin. A dupla assina a produção do álbum que foi finalizado em 2013. ;Nesse meio tempo, estávamos não só mexendo com projetos paralelos, mas também cuidando do disco, ouvindo as músicas e maturando o projeto para chegar ao estágio final pretendido;, frisa Jorge.

Esses trabalhos paralelos incluem as gravações dos álbuns do Los Sebozos Postizos (no qual o grupo toca composições de Jorge Ben Jor) e do Nação Zumbi x Mundo Livre S/A (em que uma banda interpreta músicas da outra); a turnê de Lucio, Dengue (baixo) e Pupillo (bateria) com Marisa Monte, e o lançamento dos projetos Afrobombas de Jorge; Combo X de Gilma Bola 8 (percussão); e Coco Samba de Mazuca, de Toca Ogan (percussão).

Todas as andanças, somadas a frases, livros e filmes, estão na sonoridade e nas 11 canções, que Jorge descreve como crônicas com um certo romantismo. Em Foi de amor, ele canta ;Foi de amor, droga mais que letal/Quando não mata, aleija/Faz esse temporal/Foi, foi de amor/Não tem nem contra indicação/Dependendo da dose/Acelera e racha o coração;. Cicatriz ; música que já tem clipe e virou hit nas redes sociais ; deixa o recado: ;Quando fica a cicatriz/Fica difícil de esquecer/Visível marca de um riscado inesperado/Pra lembrar o que lhe aconteceu/Risível marca de um riscado desesperado/Pra lembrar e nunca mais esquecer;.

Força feminina
Em A melhor hora da praia, o grupo conta com a participação especial de Marisa Monte. ;Convidá-la para cantar com a gente era uma ideia antiga. Quando falei sobre a música, Marisa disse que se amarrava em ciranda e que, inclusive, já tinha tocado com Lia de Itamaracá (cirandeira pernambucana). Ficou muito bonita a participação dela;, elogia Jorge.

A força feminina de Nação Zumbi fica completa com Lula Lira (filha de Chico Science e cantora do projeto Afrobombas) e Laya Lopes (vocalista da banda cearense O Jardim das Horas). ;As duas vozes são bem afinadas. Ter as duas como backing vocal foi bem legal;.



NAÇÃO ZUMBI
Décimo disco do grupo pernambucano. Lançamento: slap/Natura Musical, 11 faixas, produzidas por Berna Ceppas e Kassin. Preço médio: R$ 24,90. ####



Quatro perguntas/Jorge Du Peixe


Há 20 anos, o grupo Nação Zumbi lançava o álbum Da lama ao caos, que é considerado por vários artistas um marco na música brasileira. Vocês também encaram dessa maneira?

Sem nenhuma pretensão nossa, mas eu sei que esse disco soa muito atual. É nosso marco zero. Foi algo bem à frente do seu tempo e ainda consigo me deleitar a cada audição. Ele é atemporal e isso é importante pra caramba num álbum.

Como você enxerga a evolução do grupo nessas duas décadas?
Esse álbum mais recente é uma evolução, uma reafirmação mesmo. São 20 anos passados e atravessando décadas para voltar com um disco substancial. Nação Zumbi é um álbum muito maduro, harmonicamente e melodicamente falando. Tem a nossa identidade musical, de certa forma, mas com inserção em outros lugares. É mais ou menos assim que a gente anda. A banda está vivendo um momento muito bom.

Lula Lira, filha de Chico Science, atuou com você do projeto Afrobombas. Agora, ela participa do Nação Zumbi como backing vocal. Como é ter a companhia dela nesse momento tão marcante, de 20 anos do grupo, cantando com vocês?
Lula fica tímida ao falar sobre isso, mas ela ficou feliz. Cantar é ainda algo novo para ela, mas Lula tem um ouvido musical muito bom e conhece muita coisa interessante. Estou ajudando na questão do trabalho solo dela, que talvez seja um disco de versões. Mas Lula está tranquilíssima. Ela é muito pé no chão.

Na sexta e no sábado, vocês fizeram shows no Rio de Janeiro e nos próximos meses partem para Recife, Salvador, São Paulo e até Bogotá (Colômbia). Brasília receberá o show do novo disco?
Levar o disco para a estrada é uma das partes mais legais do processo. Nós temos um público em Brasília muito bom. Tocamos na cidade em várias situações e voltaremos, com certeza, com o novo show. Só não sabemos a data ainda. No dia 21 de abril, aniversário da cidade, tocamos três músicas novas e foi ótimo. Vimos um público jovem, que é uma geração sedenta para saber o que está acontecendo musicalmente.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação