Ser sustentável

Ser sustentável

postado em 17/05/2014 00:00

O problema é dos pequenos?

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) anunciou, esta semana, a sede oficial do Dia Mundial do Meio Ambiente deste ano. A pequena ilha de Barbados, localizada na América Central, foi a escolhida para simbolizar as celebrações do próximo 5 de junho, cujo tema de 2014 é Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento e as Mudanças Climáticas.


Barbados, um país 13 vezes menor do que o Distrito Federal, é altamente suscetível aos efeitos da mudança do clima. O aumento do nível do mar, por exemplo, contribui para a destruição dos ecossistemas costeiros e traz impactos diretos à pesca e ao turismo. Outras pequenas nações, como Kiribati e Tuvalu ; na região da Micronésia e da Polinésia ;, enfrentam situações ainda mais dramáticas. Os poços de água potável são contaminados por água salgada, e os territórios correm o risco de sumir do mapa nas próximas décadas. A situação, por mais distante da realidade brasileira (somos o quinto maior país do mundo em extensão territorial), ainda assim é alarmante.


A ONU exalta os esforços que a ilha caribenha tem feito na transição para a economia verde, como investimentos em energia solar e metas de redução das emissões de CO; em 4,5 milhões de toneladas. ;Barbados terá a oportunidade de se tornar um exemplo para pequenos estados insulares em desenvolvimento que estão enfrentando desafios similares;, defende o diretor executivo do Pnuma, Achim Steiner.


Mas será que esse pontinho no globo terrestre deve, mesmo, fazer tantos esforços e assumir a responsabilidade pela tragédia que lhe afeta? Onde fica o compromisso das grandes potências, como Estados Unidos, China, Rússia e, por que não, o próprio Brasil? Não seriam elas as responsáveis pela aceleração das mudanças climáticas?


Segundo a representante do Pnuma no Brasil, Denise Hamú, seria preciso investir 2% do PIB mundial para iniciar a transição para a economia verde. Até o momento, a única medida adotada pelos países desenvolvidos para auxiliar os pequenos foi o Fundo Climático Verde ; previsto para entrar em operação até o fim de 2014 e arrecadar US$ 100 bilhões anualmente. Porém, a iniciativa está longe do ideal e só acumulou US$ 8 milhões, doados por Alemanha, Dinamarca, Noruega, Austrália, Finlândia e Holanda. ;Essa dificuldade em arrecadar demonstra o tamanho do desafio em convencer governos sobre a importância em investir na diminuição das emissões de gases de efeito estufa e dos efeitos negativos das mudanças climáticas;, avalia Hamú.

Três perguntas para Denise Hamú

Representante do Pnuma no Brasil

Como as mudanças do clima afetam essas pequenas nações?
Há uma projeção que aponta que, se o nível do mar continuar a aumentar no ritmo atual, Kiribati, no Pacífico, pode deixar de existir em 50 anos, e Granada, no Caribe, perderia 60% de suas praias. Isso seria uma tragédia ambiental, com a destruição dos ecossistemas costeiros e outros desequilíbrios, e financeira, já que muitos dos estados insulares têm o turismo como principal atividade econômica, chegando a representar 30% do PIB.

Em que a economia verde pode ajudar Barbados a se recuperar dos efeitos do clima?
Há um eixo da economia verde para o qual Barbados demonstra grande potencial: o turismo. O setor representa 15% da economia do país e pode adotar práticas mais sustentáveis de negócio. Por exemplo, é possível fazer um tour pelo centro histórico da capital de Barbados, Bridgetown, usando veículos elétricos. O turista, ao fazer essas escolhas sustentáveis, estimula o uso e a difusão de iniciativas de baixo carbono.

E as grandes potências, o que têm feito ou quais compromissos têm travado com a ONU/Pnuma, já que elas são as responsáveis pelos efeitos que atingem os pequenos?
Já se tentou, nas negociações internacionais de clima, incluir mecanismos de compensação por emissões passadas, mas a discussão não progrediu. O que está claro é que enfrentar as mudanças climáticas e se adaptar aos seus efeitos negativos é uma responsabilidade global, já que as consequências são sentidos por todos. O próximo grande momento de definição acontece em Paris, em 2015, durante a Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas para Mudanças do Clima, onde se espera um novo acordo, que apontará metas para redução de emissões.

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