Márcio Cotrim

Márcio Cotrim

marciocotrim@facbrasil.org.br www.marciocotrim.com.br
postado em 17/05/2014 00:00
 (foto: Maurenilson/CB/D. A Press)
(foto: Maurenilson/CB/D. A Press)
Nós, os perplexos

Vivemos cravejados de perplexidade. Ora se lincha, por engano, uma mulher até a morte, ora um enlouquecido torcedor arremessa, do alto de uma arquibancada de estádio, uma latrina que atinge mortalmente outro torcedor em sua mais pura inocência.

E mortes estúpidas praticadas por meninos de onze anos, e uma cambulhada de crimes não resolvidos, ou pior, aqueles em que os culpados são presos pela polícia mas imediatamente soltos, para assombro geral.

Estamos todos embatucados, eis a verdade ; e isso num país tão lindo, tão rico mas tão podre como o nosso. É de chorar de raiva e chegar a aceitar justiça com as próprias mãos, como propõem certos raivosos jornalistas de TV. A volta à selva, ao macaco inicial.

Mas sejamos mais amenos nesta radiosa manhã de sábado. Falemos de embatucamentos veniais. Um deles, há anos, nos incomoda: a absurda falta de pintura dos quebra-molas aqui em Brasília. Por mera coincidência, estou saindo agora para visitar um amigo acidentado com uma fratura provocada à noite por um trambolhão num quebra-molas. Dirá você que isso é café pequeno diante dos graves problemas nacionais, e até concordo, mas era de ver a cara de raiva de meu amigo engessado. . .

Continuamos boquiabertos. Imagine você que um sujeito, nos EUA, não se sabe como, apropriou-se de seu computador pessoal ligado na NASA e nele introduziu robusta programação pornográfica. Pouca gente soube ou se interessou pelo assunto até que uma nave de pesquisa do Tio Sam pousou no planeta vermelho. De repente, atônitos telespectadores terráqueos passaram a ver, na telinha, cenas de desinibidos folguedos naquelas lonjuras siderais!

Agora, uma curiosa observaçãozinha do quotidiano. Nada que faça você cair da cadeira. Apenas uma interrogação para espíritos inquietos. Você sabe por que o número 4 nos mostradores de relógios em algarismos romanos aparece como IIII e não IV? Não sei e me declaro supinamente embatucado com isso.
Da mesma forma como não sei por que se diz coisas como ;éramos em seis;, em vez de mais simplesmente dizer ;éramos seis;, ou ;Vou viajar de hoje a oito; querendo lembrar que a viagem se dará em uma semana ; sete dias e não oito . . .



Nem vou aprofundar comentário sobre a persistente obtusidade da imprensa ao repetir com obsessão, que o Brasil é pentaampeão de futebol e agora parte para o hexa, asneira que se popularizou a partir de um jornal paulista abrir a manchete garrafal TRI! quando ganhamos pela terceira vez a Copa, no México, em,1970.

Não adianta enfrentar a mídia, embora seja nada mais que óbvio considerar os títulos consecutivos muito mais valiosos que os alternados. O América Mineiro se orgulha, mui justamente, de se considerar DECACAMPEÃO das Alterosas pela simples e solar razão de que venceu dez vezes SEGUIDAS o campeonato de Minas.

E ninguém, nem o mais fanático torcedor do Bangu, tem a pachorra de considerar o simpático clube dos mulatinhos rosados como bi-campeão carioca por haver sido campeão em 1933 e em 1966, não é mesmo? Mas, como digo, é inútil discutir com a mídia, mesmo a mais abstrusa . . .

O que sei, e com muita certeza - acolhendo a sabedoria de Sócrates - é que só sei que nada sei. E bem aqui perto de nós, que ;o mundo gira e a Lusitana roda; . . .


;O melhor momento para um técnico de futebol deve ser o minuto de silêncio. É quando os jogadores ficam parados, mais ou menos na posição que ele determinou na escalação;
Luís Fernando Veríssimo

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