Bom Senso chega ao Planalto

Bom Senso chega ao Planalto

Jogadores apresentam propostas do movimento e ganham o apoio da presidente Dilma Rousseff em três frentes. Após o encontro, atletas evitam o tema Copa do Mundo e driblam as polêmicas

AMANDA MARTIMON GRASIELLE CASTRO
postado em 27/05/2014 00:00
 (foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
(foto: Valter Campanato/Agência Brasil)


Às vésperas do Mundial, a presidente Dilma Rousseff se comprometeu com o movimento Bom Senso FC a trabalhar em três medidas para melhorar o futebol. Recebidos no Palácio do Planalto, 10 jogadores ; entre eles Dida, Gilberto Silva e Alex ; expuseram as demandas do grupo, sem tocar em temas diretamente relacionados ao torneio da Fifa. Ao saber das condições de trabalho dos atletas, em especial o alto número de jogadores com salários atrasados, a presidente se disse ;estarrecida; com a situação. O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e o secretário de Futebol da pasta, Toninho Nascimento, também participaram da reunião.

Uniformizados com o ;brasão; do Bom Senso, os jogadores focaram em pedir o apoio presidencial em três frentes. Primeiro, querem o fortalecimento da proposta em discussão na Câmara dos Deputados sobre a renegociação da dívida dos clubes, a Lei de Responsabilidade Fiscal (antigo Proforte), com atenção especial para a questão dos salários. Em seguida, apontaram a necessidade de regulamentar a participação dos atletas nos conselhos de clubes e entidades e a criação de um grupo de trabalho para elaborar um plano de desenvolvimento do futebol.

O meia Ruy Cabeção parafraseou Dilma quando ouviu dos jogadores sobre os frequentes atrasos. ;Ela disse que estava estarrecida com a falta de compromisso dos clubes. Não sabia que eram tantos;, relatou ele, que dos últimos nove meses de trabalho disse ter recebido por apenas três (não mencionou o time). Outro ponto de destaque na reunião foi a preocupação do Bom Senso FC com a estrutura das novas arenas, que seguem o padrão Fifa para o Mundial. O grupo teme que a falta de divisão entre as torcidas facilite a ação dos vândalos.

Depois da Copa

Um dos líderes do Bom Senso FC, o goleiro Dida afirmou que novos protestos do movimento só devem ocorrer depois da Copa e, ainda assim, como um dos últimos recursos. ;Nossa frente de trabalho sempre foi o diálogo;, destacou. Ele considerou o encontro com a presidente Dilma como o ;ápice; das ações do grupo.

Questões sobre a preparação do país para o Mundial e a recente declaração de Ronaldo, que se disse envergonhado pelos atrasos, foram tema tabu entre os representantes do Bom Senso. Depois de uma longa hesitação, apenas Gilberto Silva se arriscou a comentar sobre o assunto. ;Nós não sabemos todos os detalhes para nos posicionar;, driblou.

Para enquadrar a CBF

A medida provisória 620, aprovada este ano, condiciona o repasse de verba pública a uma série de obrigações por parte das entidades, entre as quais limites para reeleição e participação de atletas em conselhos. A CBF, contudo, não se enquadra nas regras, alegando não receber investimento público. Assim, o item dois é de difícil resolução e será estudado para tentar encaixar a entidade, segundo disse o secretário de Futebol do Ministério do Esporte, Toninho Nascimento. ;Vamos pensar em alguma maneira jurídica. Eles ganham isenção fiscal. Não é uma forma (de verba pública)?;, questionou.

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