Chega de saudade

Chega de saudade

Dona do recorde sul-americano dos 100m livre, Tatiana Lemos passou a treinar jovens nadadores nos EUA depois da aposentadoria como atleta profissional. A nova vida entusiasma a brasiliense, que mal entra na piscina hoje

JÉSSICA RAPHAELA
postado em 27/05/2014 00:00
 (foto: Satiro Sodre/SSPress - 14/12/13)
(foto: Satiro Sodre/SSPress - 14/12/13)


As lembranças do último mergulho no Parque Aquático Newton Silveira Netto, em dezembro passado, continuam frescas na mente de Tatiana Lemos, de 35 anos. Foi em Porto Alegre que a brasiliense fez a derradeira competição profissional. Este ano, após duas décadas de carreira, a ex-nadadora começou uma nova vida nos Estados Unidos, mas ainda bem perto da piscina.

Se a idade afastou Tatiana das competições, a experiência rendeu a oportunidade de integrar os bastidores da natação. Animada com a chance de uma nova carreira, ela se afastou do apartamento que conserva no Cruzeiro Novo e optou por dividir com três pessoas uma grande casa na cidade norte-americana de Myrtle Beach, no estado da Carolina do Sul. É lá que a brasileira atua como assistente técnica de uma equipe de jovens talentos.

;Nadei por 27 anos e, agora, tenho que me adaptar a uma vida nova. Por enquanto, estou adorando;, entusiasma-se a brasiliense, que integrou a Seleção Brasileira por 16 temporadas. Antes diários, os mergulhos na piscina tornaram-se raros, mas Tatiana diz não sentir saudade da natação. ;Eu sinto falta de atividade física. Como tenho me exercitado sempre, até por uma preocupação de manter a forma física, não sinto falta da água;, afirma, com desapego.

O sentimento de saudade é destinado apenas aos amigos e à casa que deixou no Planalto Central, de onde está distante desde fevereiro. O apartamento no Cruzeiro Novo, decorado por ela, está fechado, com o carro da atleta na garagem. Sem o veículo, a ex-nadadora decidiu adotar outro meio de transporte no novo país. Pedalando, Tatiana leva 10 minutos da casa que divide com dois americanos e um sul-coreano até o local de treino, onde dá assistência ao treinador e amigo Fábio Mauro ; ex-nadador da Seleção Brasileira.

;Nunca me imaginei trabalhando na borda da piscina, mas a oportunidade apareceu e está sendo bem positiva;, avalia a brasiliense. Tatiana explica que treina um grupo jovem, composto por crianças e adolescentes. ;Eles estão muito crus ainda, sem experiência. É fantástico poder passar tudo que aprendi ao longo da minha carreira e vê-los se desenvolvendo com base nisso;, empolga-se.

Vida fora d;água

Joanna Maranhão

; A pernambucana foi a nadadora brasileira que chegou mais perto do pódio olímpico. Quinta colocada nos 400m medley em Atenas-2004, ela deixou as competições neste ano. Hoje, aos 26 anos, Joanna Maranhão trabalha como treinadora. No Troféu Maria Lenk, em abril, foi vista orientando o conterrâneo Leonardo Guedes.

Michelle Lenhardt

; A medalhista dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, no México, em 2011, anunciou que sairia das piscinas no ano passado. Na ocasião, avisou a todos que daria ;as caras no mercado de trabalho;, conforme escreveu em nota de despedida. No momento, a gaúcha trabalha como publicitária, mas perto da natação, pois presta assessoria a atletas.

Fabíola Molina

; Depois de ter competido em três Olimpíadas, cinco Jogos Pan-Americanos e 12 Mundiais, a nadadora decidiu parar, a fim de ser mãe. Aos 38 anos, Fabíola Molina dedica-se integralmente à grife de roupas de banho que leva seu nome. A paulista informou recentemente que, desde a aposentadoria das piscinas, a produção e as vendas cresceram 33%.

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