ARI CUNHA

ARI CUNHA

Desde 1960 Visto, lido e ouvido aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha / circecunha.df@dabr.com.br

postado em 26/06/2014 00:00




Emancipada
e violentada

Tomada como fato consumado, a emancipação política do Distrito Federal pós-Constituinte mudou radicalmente não só a concepção institucional e orgânica desse ente da Federação mas, sobretudo, o modus vivendi de sua população, obrigada, doravante, a conviver com o mesmo modus operandi de fazer política que impregnava o país. Nem mesmo a concepção urbana da capital escapou da razia e dos interesses políticos domésticos. Transformada em moeda de troca, grande parte das terras que circundavam a cidade, e mesmo as que integram o polígono tombado, foram vilipendiadas para o atendimento de demandas políticas suspeitas. Num balanço final dessa emancipação, o que se conclui é que, para a população em geral, e para os moradores, em particular, a entronização da capital no mundo político-partidário representou enorme prejuízo para os brasilienses e para os brasileiros. Repetiu-se aqui, com total fidelidade, as mesmas e velhas mazelas que caracterizam o jeitinho brasileiro de fazer política. Não se discute a importância da política e da atividade do Legislativo para o regime democrático, mas sim o alto preço pago pela cidade e pelo cidadão, obrigados agora a conviver com o exercício distorcido de uma representação política feita em causa própria. Do cidadão, transformado a cada quatro anos em eleitor, exige-se postura de contribuinte, a cada hora do dia. Obrigado a custear um aparelho de Estado custoso e blindado às investidas da Justiça e da transparência, resta ao cidadão comum assistir impassível a cenas bizarras de contraventores cada vez mais seguros de que valeu a pena. Do outro lado da avenida, a Câmara Legislativa, indiferente e aproveitando as férias eternas, vai empurrando com a barriga os processos de cassação devidos à Justiça e à sociedade. O que estamos assistindo não é o exercício da política, tal como concebido pelos gregos antigos, mas a miséria da política no seu estado mais puro.



A frase que não foi pronunciada

;A única vacina contra mordida de adulto humano é voltá-lo ao colo da mãe até que passe a fase oral.;

Freud explica.



Música

; Em qualquer lugar do mundo, o metrô é um espaço livre para a manifestação artística. O fluxo de pessoas estimula músicos a mostrar o trabalho. Brasília adota a prática. Na Estação Ceilândia Centro, sexta-feira, ao final da tarde, Paulo André Tavares e Oswaldo Amorim serão os músicos a se apresentar. Em 2 de julho, será a vez do Grupo Mandrágora, também no fim da tarde, desta vez na Estação Praça do Relógio, em Taguatinga.


Necessidade

; Cada vez mais raros os pediatras nos postos de saúde e hospitais públicos. A Secretaria da Saúde precisa contratar pelo menos 70 pediatras para atender a demanda.
O salário para 40 horas
de trabalho é de quase
R$ 18 mil.


Turismo e Comércio

; Bastante produtiva a visita da ministra Izabela Teixeira, do Meio Ambiente, ao Senado Federal. Alagoas está perto de concretizar as obras do Estaleiro Eisa, no município de Coruripe, a 80km de Maceió. Outra notícia boa é que estudos estão sendo feitos para que as piscinas naturais de Maragogi recebam lanchas menos poluentes. A expectativa sobre a geração de empregos nas regiões é grande.


Co-ação

; A cada movimento dos Trabalhadores Sem Teto em São Paulo, a população vai ganhando a antipatia do grupo. São Paulo sempre foi a comissão de frente do que Brasília vai sofrer. O grupo está
com data marcada para
vir à capital.


Sugestão

; Já que a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado quer evitar o perdão da dívida de
US$ 352,6 milhões dos países africanos, que tal
a Casa Civil liberar
R$ 1 milhão para que o guerreiro Lucas Neres possa fazer a cirurgia no Canadá para reabilitar o pulmão? A coragem e a determinação desse rapaz, de 16 anos, impressionam todos
os médicos que viram
a situação de perto. Melhor acreditar em quem luta pela vida.




História de Brasília

Os interinos de vários ministérios estão recebendo ;dobradinha;, exceção aos que trabalham no Ministério da Educação. A vida, para uns, não é mais cara que para outros. Desde que trabalho em Brasília, o funcionário bem que devia desfrutar dessa vantagem. (Publicado em 20/7/1961)


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