Alta roda

Alta roda

por Fernando Calmon fernando@calmon.jor.br
postado em 26/06/2014 00:00
Tormento nacional

Após seis meses de introdução obrigatória de freios ABS e bolsas de ar duplas em todos os veículos leves produzidos e vendidos no Brasil, nada se avançou em novas propostas para continuar a incrementar os itens de segurança. Não se trata, sem estudos ou mero voluntarismo, de inventar listas de equipamentos caros ou que acabem por limitar o crescimento do mercado. Para tudo deve haver equilíbrio dentro de equação inteligente entre custo e benefício.

Logo em janeiro, esse colunista indagou ao presidente da Anfavea, Luiz Moan, se o Contran (Conselho Nacional de Trânsito, órgão governamental responsável pelos regulamentos de segurança veicular) tinha algo em vista para os próximos anos. Afinal, qualquer mudança exige prazos e escalonamento da produção para diluição dos custos ao longo do tempo. Sua resposta: ;Ainda não houve iniciativas, mas a entidade estuda algumas sugestões, entre elas o sistema de fixação Isofix para bancos infantis;.

Um país que mantém um mercado interno próximo a quatro milhões de unidades/ano e caminha para cinco milhões até o fim da década, deveria obrigatoriamente apertar o passo nesse assunto. Alguns itens já poderiam estar na lista de obrigatoriedades e sua ausência só serve para que o fabricante ofereça preços de aparência atraente em um modelo de entrada.

Inaceitável oferecer como opcional algo tão simples como cintos de segurança retráteis nas posições laterais do banco traseiro e até mesmo dois encostos de cabeça. Cintos que precisam de regulagem são um convite para ;esquecimento;. Nada precisaria mudar no projeto do carro e em seis meses deveria se tornar obrigatório.

Outros recursos têm custo baixo, porém adaptá-los a modelos mais antigos ainda à venda precisaria de prazo elástico. É o caso do próprio Isofix, que poderia ser obrigatório inicialmente para carros de projeto novo, como se fez com ABS/airbags. Modelos sem viabilidade técnica ou econômica para sua colocação e ainda sem cinto de três pontos retrátil também na posição central do banco traseiro, não deveriam ser fabricados a partir de 2019. Isso, porém, teria que partir do Contran, até o final deste ano.

É normal o prazo de três anos para veículos de projeto novo e cinco anos para os demais. A Argentina, por exemplo, quer aproveitar que todos os modelos têm freios ABS para exigir o ESC, sistema de controle de trajetória/estabilidade, simples extensão do ABS. Dentro do Mercosul tudo precisa estar regulamentado em conjunto, mas o governo brasileiro não se mexe. Há previsão de vendas totais, apenas nos quatro países do cone sul, superior a seis milhões de veículos por ano, no fim da década.

Tal volume viabiliza, desde que planejado com responsabilidade e antecedência, vários outros recursos. Um deles, obrigatório nos EUA e na Europa (novembro próximo), é o TPM (em inglês, monitoramento de pressão dos pneus), inclusive usando o próprio ABS. Nesse caso há dupla vantagem. No lado de segurança, estudo na França estimou que 9% dos acidentes fatais ocorrem por pressão baixa nos pneus.

TPM também proporciona economia de combustível, menor poluição, vida útil maior aos pneus, menor suscetibilidade a furos e danos menores ao conjunto roda-pneu em buracos, este último um tormento nacional.



Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação