Reservas sem marra

Reservas sem marra

Repatriados como Eduardo da Silva usam a maturidade assimilada na Europa - onde suportar o banco é prova de profissionalismo - para evitar cobranças e usar o pouco tempo em campo para fazer a diferença

Marcos Paulo Lima
postado em 22/08/2014 00:00
 (foto: Ide Gomes/Frame/Agência O Globo - 10/8/14)
(foto: Ide Gomes/Frame/Agência O Globo - 10/8/14)


Nem sempre o fato de ter sido repatriado do futebol europeu é garantia de desembarcar no Brasil com a moral de um Robinho ou de um Kaká, receber o colete de titular e virar rapidinho intocável em um time brasieliro. A experiência no outro lado do Oceano Atlântico também ensina a ser humilde. Nomes como Julio Baptista, Eduardo da Silva, Renato Augusto e Denílson são exemplos de jogadores que aprenderam em clubes do Velho Mundo a importância de tolerar o banco de reservas e ser mais um.

Responsável pela virada do Flamengo por 2 x 1 sobre o Atlético-MG na noite de quarta-feira, Eduardo da Silva, de 31 anos, poderia usar o fato de ter defendido o Arsenal, da Inglaterra, e a seleção da Croácia nas Eliminatórias da Euro e na Copa do Mundo para peitar Vanderlei Luxemburgo e exigir um lugar cativo entre os titulares do limitadíssimo ataque rubro-negro. No entanto, os 13 anos na Europa ensinaram que lá, diferentemente daqui, não há titulares e reservas. Daí o motivo para Eduardo da Silva compreender ; ao menos por enquanto ; a filosofia do treinador Vanderlei Luxemburgo e ser um reserva agregador.

Eduardo da Silva disputou quatro jogos até agora. Foi titular em um e começou os outros três no banco de reservas. Em dois deles, entrou no time durante a partida e foi decisivo. Diante do Sport, completou de cabeça o cruzamento do lateral João Paulo. O lance se repetiu no triunfo de quarta-feira, sobre o Atlético-MG. Na mesma partida, sofreu o pênalti convertido por Leonardo Moura.

Vanderlei Luxemburgo deixa claro que não há nenhum impedimento para que Eduardo da Silva seja titular, mas, sim, cautela no processo de adaptação do atacante ao futebol brasileiro. ;Ele estava há 16 anos fora do Brasil, então vai ter dificuldade, não dá para acelerar. Tem que se adaptar ao ritmo de jogo, o comportamento tático é outro. Não é só parte física. Mas vai ter um momento em que vou ter que colocá-lo mesmo com o pessoal descansado para ter dificuldade maior e crescer;, explicou o comandante rubro-negro na entrevista coletiva depois da vitória sobre o Galo, no Maracanã.

Julio Baptista é outro repatriado que poderia usar o discurso de que defendeu Real Madrid, Roma e Arsenal para colocar banca, cobrar vaga de titular e minar o ambiente do Cruzeiro. Neste Brasileirão, só começou duas vezes como titular ; na estreia diante do São Paulo, quando fez um gol, e ontem, diante do Grêmio, no Mineirão. O meia-atacante fez um gol escalado desde o início e outro saindo do banco. No fim de semana passado, Julio Baptista entrou no lugar de Marcelo Moreno e marcou o terceiro gol na goleada por 3 x 0 sobre o Santos.

Opção

Renato Augusto era praticamente intocável no meio de campo do Bayer Leverkusen. Na volta ao Brasil, ainda não se firmou como titular do Corinthians, mas o treinador Mano Menezes sabe que pode contar com o reserva de luxo. Quando não está entregue ao departamento médico, Renato Augusto repõe o estoque e contribui taticamente com o elenco. Na atual Série A, só foi titular duas vezes. Em outras sete exibições, saiu do banco de reservas para ajudar.

O São Paulo também tem o seu agregador. Até pouco tempo, o volante Denílson era titular de Ars;ne Wenger no badaladíssimo Arsenal. A volta ao tricolor foi difícil. Rebaixado a reserva, usou a experiência da rotatividade assimilada no futebol inglês para digerir o banco. Nas últimas duas partidas, foi titular do início ao fim nas vitórias diante do Palmeiras e do Internacional.

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