Projeto de mapeamento cerebral mostra resultados

Projeto de mapeamento cerebral mostra resultados

» Paloma Oliveto
postado em 30/09/2014 00:00
Quase três meses depois de um grupo de cientistas assinar uma carta aberta criticando o Projeto Cérebro Humano, financiado com 1 bilhão de euros pela União Europeia, a organização do ambicioso plano de mapear o órgão inteiro com modelos computacionais lançou uma publicação com as realizações alcançadas até agora.

Anunciado em 2013, o HBP (na sigla em inglês) foi criticado recentemente por 213 neurocientistas europeus que ameaçaram boicotá-lo, acusando a iniciativa de desperdiçar dinheiro público por restringir a linha de pesquisa. Para eles, há muito investimento em modelagens estruturais do órgão, em detrimento de estudos neurocientíficos.

No encontro anual do HPB, que começou ontem na Universidade de Heidelberg, o líder do projeto, Henry Markram, do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça em Lausanne, apresentou à imprensa uma brochura com feitos do grupo. Ele é acusado por proeminentes cientistas de monopolizar os investimentos, direcionando o financiamento para pesquisas que julga prioritárias sem consultar os colegas. No lugar de estudos sobre o funcionamento do órgão e suas aplicações práticas, como a busca de tratamentos para doenças neurodegenerativas, os trabalhos que recebem dinheiro são os que mapeiam e constroem atlas computadorizados das regiões do órgão. Um deles foi contemplado com verba para reconstruir o cérebro em sílica.

Em resposta, Markram e outros integrantes do HBP afirmam que os críticos estão incomodados com a ;mudança de paradigma; nas estratégias de estudo do cérebro. ;O objetivo do projeto é uma compreensão da estrutura e do funcionamento cerebral por meio do desenvolvimento de ferramentas computacionais (;). Longe de ser colocada de lado, a neurociência continua o centro do projeto;, afirmou, em um artigo publicado na New Scientist, Richard Frackowiak, um dos diretores da iniciativa.

Simulação
Ontem, quase 400 pesquisadores de instituições europeias apresentaram e discutiram alguns dos resultados obtidos em um ano de trabalho. Um dos destaques foi o Cheesy, um rato-robô comandado por um cérebro computadorizado, inspirado no órgão real de um rato. De acordo com Marc-Oliver Gewaltig, colíder do Subprojeto 10 do HBP, o roedor androide é a simulação cerebral mais avançada que se tem hoje. A neurocientista Katrin Amunt, do Julich Research Centre, afirmou que os mapas disponíveis até agora já estão sendo usados em estudos de neuroimagem.

O documento distribuído destaca as aplicações neurocientíficas dos seis projetos apresentados. ;Todos os anos, as pesquisas sobre o cérebro geram 60 mil artigos. Todos são lindos, estudos fantásticos ; mas todos são focados em seu limitado campo: essa molécula, essa região cerebral, essa função, esse mapa. O HBP vai integrar essas descobertas e criar modelos para explorar como circuitos neurais são organizados e como eles originam o comportamento e a cognição;, prometeu Markram.

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