Simplicidade e delicadeza

Simplicidade e delicadeza

postado em 10/10/2014 00:00

Durante a entrevista em sequência ao anúncio do prêmio, Peter Englund, secretário da Academia Sueca, explicou que os livros de Patrick Modiano são de fácil leitura e que é possível ler um romance do francês sair para jantar e ler um outro ao voltar. ;São livros pequenos, são variações do mesmo tema, perda, memória, identidade e tempo. Ele é bem conhecido na França, mas praticamente desconhecido em outros lugares;, disse. A Academia Sueca justificou que concedeu o prêmio ;pela arte da memória com a qual ele evocou os mais impalpáveis destinos humanos e com a qual revelou o mundo da Ocupação;.

Para o crítico e escritor Silviano Santiago, a escolha da Academia Sueca representa uma tendência. ;É uma tendência do Nobel de favorecer uma literatura de um agrado mais geral. Modiano é um autor acessível ao grande público. Isso indica uma mudança de linha;, repara Santiago. ;Não o julgo assim um autor maior da literatura francesa, mas é, sem dúvida, um grande estilista que trabalha a forma clássica do romance francês, que é o récit (tipo de narrativa).;

A França é o país que tem mais escritores laureados com o Nobel (15 no total), embora o universo de língua inglesa esteja mais presente na lista de 111 premiados. O romance também tem ocupado mais espaço. Se nos anos 1950 era possível encontrar mais poesia, teatro e filosofia, hoje o júri da academia se volta para o gênero mais praticado da literatura. Já houve até um historiador na lista de premiados. O Nobel do ano passado, concedido à canadense Alice Munro, foi o primeiro a celebrar uma obra feita de contos e pequenas novelas. Mulheres, aliás, continuam minoria na premiação sueca. Elas somam 13 desde 1901, quando o prêmio foi concedido pela primeira vez.

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