Troca na Fazenda agita bolsa

Troca na Fazenda agita bolsa

Rumores sobre escolha de Meirelles para comandar a economia animou investidores e provocou alta das ações

Rosana Hessel
postado em 13/11/2014 00:00
 (foto: Paulo Whitaker/Reuters - 25/5/12)
(foto: Paulo Whitaker/Reuters - 25/5/12)

Enquanto a presidente Dilma Rousseff viajava ontem para a Austrália, onde participará da cúpula do G20, no fim de semana, o mercado se agitou com a possibilidade de a petista escolher o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles para comandar o Ministério da Fazenda. O rumor fez a Bolsa de Valores de São Paulo ter forte alta no início da tarde. O estusiasmo perdeu força depois que o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, declarou que o governo optou por fazer um ajuste não ordodoxo na economia, e outros dois nomes para a Fazenda voltaram a ser ventilados: o do atual presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e o do comandante do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho. Mesmo assim, a Bolsa terminou o dia com ganho de 0,96%.


;O mercado está muito ansioso. O ideal seria que a presidente anunciasse a nova equipe o mais rápido possível de modo a sinalizar para onde vai a política econômica;, comentou o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito. Na avaliação dele, ;Dilma precisa anunciar as mudanças com o menor ruído possível para evitar que a confiança dos investidores piore ainda mais;. Ele lembrou que a proposta de mudança na meta fiscal enviada anteontem ao Congresso prejudicou ainda mais a já combalida credibilidade do governo.


Desde a vitória no segundo turno das eleições, a presidente tem evitado falar sobre o novo ministro da Fazenda, apesar de ter anunciado, ainda durante a campanha, que Guido Mantega não continuará na pasta. Mantega acompanha Dilma no encontro anual de líderes das 19 maiores economias do planeta, mais a União Europeia, e a expectativa é de que o novo titular do cargo seja anunciado após o retorno da comitiva brasileira. No entanto, durante escala no Oriente Médio, Dilma avisou que não pretende fechar a reforma do ministério já na próxima semana. ;Não tem reforma ministerial na terça-feira, nem pensar. Não dá nem tempo;, disse.


Favorito
Apadrinhado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Meirelles é o favorito do mercado para suceder Mantega na Fazenda.


O chefe do BC foi o principal conselheiro de Lula, que não tomava uma decisão econômica sem antes ouvir a opinião do goiano. Meirelles transmitiu segurança ao mercado ao dar continuidade às políticas do governo anterior. Recuperou a confiança dos investidores e conseguiu manter a inflação sob controle. Isso contribuiu para o crescimento mais robusto do país e permitiu a execução dos programas sociais de combate à pobreza.


O economista Silvio Campos Neto, da consultoria Tendências, explica que a preferência do mercado decorre da visão ortodoxa de Meirelles sobre economia. Além disso, é um nome de peso, que teria condições de agir com certa independência em relação a Dilma. ;A leitura é de que ele apenas aceitaria o cargo tendo um grau elevado de autonomia para trabalhar. Nesse sentido, poderia fazer as mudanças em linha com o que é defendido pela maioria dos economistas;, disse Campos Neto, citando a redução do intervencionismo na economia, a melhora das contas públicas, o fim da contabilidade criativa, a convergência da inflação para o centro da meta e a redução dos repasses do Tesouro Nacional para os bancos públicos.

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