Pagou para ver

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Barack Obama decide confrontar a oposição e anuncia hoje, em pronunciamento, um pacote executivo para reformar as leis de imigração. Congressistas republicanos armam o contra-ataque

GABRIELA FREIRE VALENTE
postado em 20/11/2014 00:00
 (foto: Brendan Smialowski/AFP)
(foto: Brendan Smialowski/AFP)



Depois de ver a reforma do sistema de imigração travada no Congresso por mais de um ano, Barack Obama anunciará hoje seus planos para lidar com a questão por meio de ordens executivas (decretos). O presidente dos Estados Unidos falará hoje, em rede nacional, às 20h (23h de Brasília). A expectativa é de que anuncie medidas para beneficiar cerca de 5 milhões de imigrantes que vivem ilegalmente no país. A oposição, no entanto, se prepara para responder à iniciativa erguendo barreiras no Capitólio: a partir de janeiro, o Partido Republicano, hoje majoritário na Câmara dos Deputados, passa a controlar também o Senado.

Em um vídeo divulgado pela Casa Branca, o presidente faz um diagnóstico sombrio. ;Todos concordam que o sistema de imigração está quebrado;, afirma, e Washington permitiu que ;o problema ficasse apodrecendo por muito tempo;. ;Vou apresentar as coisas que posso fazer, com minha autoridade legal de presidente, para que o sistema funcione melhor mesmo enquanto eu continuo (as negociações) com o Congresso e o encorajo a adotar um projeto bipartidário e abrangente;, anuncia.

Antes mesmo de o pronunciamento ter sido confirmado, congressistas republicanos já armavam a artilharia para o contra-ataque. Os opositores consideram que a emissão de ordens executivas sobre a questão da imigração configura abuso de poder e cogitam processar o presidente, além de dificultar a aprovação de projetos e nomeações no Legislativo.

Em artigo publicado no jornal especializado Politico, o senador republicano Ted Cruz classificou a emissão de ordens executivas como um gesto monárquico. E sugeriu que a oposição jogue com a aprovação do orçamento federal, uma manobra que pode levar ao fechamento de instituições públicas, na falta de acordo. ;Sem dúvida, Obama ameaça com um fechamento (da administração). Parece ser essa a única carta que ele joga repetidamente.;

Michael Steel, porta-voz do presidente da Câmara, John Boehner, principal expoente da oposição, divulgou um comunicado no qual profetiza que, se o ;imperador Obama; anunciar seu ;plano de anistia; (aos imigrantes ilegais), cimentará seu ;legado de ilegalidade; e ;arruinará as chances de ação no Congresso sobre essa e muitas outras questões;.

O presidente, porém, busca fortalecer o apoio ao projeto. Na noite passada, ele apresentou as diretrizes do plano de ação a 18 legisladores democratas, durante um jantar. O estado de Nevada é o que concentra a maior proporção de indocumentados no país, e amanhã Obama visitará Las Vegas, em busca de suporte. ;Estarei na escola Del Sol, onde há dois anos apresentei os princípios de uma reforma migratória abrangente;, destacou.

Medidas
Fontes do governo americano indicaram à agência de notícias Reuters que o plano da Casa Branca deve incluir iniciativas para reduzir a deportação de imigrantes, tendo como alvo prioritário os pais de cidadãos americanos e de residentes permanentes. A segurança das fronteiras e o auxílio a empresas que desejam contratar estrangeiros também devem ser contemplados no pacote presidencial.

Kathleen Arnold, cientista política da De Paul University, acredita que a apresentação de alternativas para a deportação sistemática deve beneficiar a economia americana, além de ajudar o governo a poupar despesas com a repatriação. ;O sistema atual produziu famílias cujo status é misto e cujo futuro é incerto. O uso da autoridade executiva beneficiará as pessoas que já vivem aqui e cuja situação é cinza, não porque são criminosos, mas porque é necessário um caminho mais claro e menos custoso para a regularização de seus status.;

Segundo o jornal The New York Times, o plano de Obama não permitirá que os imigrantes sejam incluídos no Affordable Care Act, programa que oferece acesso a planos de saúde de baixo custo, subsidiados pelo governo. A publicação afirma que os estrangeiros devem ser tratados como os chamados dreamers (sonhadores) ; pessoas que foram levadas para os EUA quando crianças e tiveram a situação regularizado por uma ação executiva assinada em 2012. Elas, porém, não têm direito aos benefícios do programa de saúde.


Cabo de guerra


Conheça algumas das principais pendências em torno da reforma migratória

Fronteiras
A reforma deve reforçar a segurança, a fim de conter o fluxo de imigrantes ilegais. A oposição republicana defende que seja essa a primeira medida, antecedendo a solução para os estrangeiros em situação irregular.

Fiscalização
O plano deve intensificar a fiscalização dentro do país, para coibir o trabalho de pessoas sem permissão.

Deportações
Obama pretende legalizar os estrangeiros que chegaram ao país como menores de idade, até 2007. O objetivo, questionado por setores da oposição, é reduzir as deportações.

Vistos
A nova política adotaria a revisão das categorias de vistos nos EUA, para atender às necessidades atuais.

Residência
A reforma visa regularizar cerca de 11 milhões de imigrantes. Opositores, porém, insistem que o plano não represente uma ;anistia; para os que violaram as leis americanas.



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