Queda de braço na Frente Ampla

Queda de braço na Frente Ampla

postado em 02/12/2014 00:00
 (foto: Andres Stapff/Reuters)
(foto: Andres Stapff/Reuters)



Desde que deixou o governo, em 2010, Tabaré Vázquez, 74 anos, preferiu tomar distância da vida pública, principalmente da política interna da Frente Ampla. Nesse meio tempo, forças mais à esquerda que integram a coalizão ganharam terreno, a ponto de questionarem o ex-presidente. De acordo com o jornal El Observador, Vázquez começará o segundo mandato com o desafio de impor a própria liderança entre os correligionários e restabelecer o equilíbrio de forças. Daí que tenha anunciado de antemão a escolha do enfraquecido Danilo Astori, atual vice-presidente, para o Ministério da Economia.

Durante o primeiro mandato de Vázquez, o astorismo (corrente moderada da Frente Ampla, à qual pertence o líder eleito) obteve seis cadeiras no Senado, o dobro do que terá na nova legislatura. Segundo o Observador, a perda de influência de Astori deixará o futuro presidente sujeito a negociações com setores da frente mais afinados com o atual mandatário, José Mujica, que lidera os remanescentes da guerrilha Tupamaros.

A atual conjuntura interna da coalizão que governa o país desde 2005 contrasta com a vivida há 10 anos, quando Vázquez se elegeu presidente pela primeira vez. As divergências entre o setor ligado a ele e os aliados de Mujica representa obstáculos à vista para o novo governo. Contudo, é sabido que, ao logo da carreira, o presidente eleito sempre contou com uma reconhecida habilidade política para conviver ao lado do atual mandatário, campeão de votos desde quando se elegeu senador. Nesse segundo mandato, a chave para o equilíbrio de forças na Frente Ampla será a relação de Vázquez com seu vice, Raúl Sendic, outro egresso dos Tupamaros.

Economia
O governo de Mujica foi marcado por intensa disputa interna na Frente Ampla sobre os rumos da economia. Enquanto os astoristas tentaram impor uma administração exclusiva ao ministério, os setores mais próximos ao presidente levaram à frente um modelo alternativo, caracterizado pela parceria entre o Executivo e o Escritório de Planejamento e Orçamento. Embora Vázquez e Astori tenham garantido que haverá uma ;linha única; para economia uruguaia a partir de março, os ex-tupamaros dispõem de mais força no Congresso.


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