Revolução na coleta de imagens médicas

Revolução na coleta de imagens médicas

postado em 04/12/2014 00:00

Uma equipe de engenheiros biomédicos da Universidade de Washington em St. Louis desenvolveu a mais rápida câmera 2D do mundo, um equipamento que pode capturar até 100 bilhões de quadros por segundo. Isso é mais veloz que qualquer tecnologia de imagem ultrarrápida existente, hoje limitada a ;apenas; 10 milhões de frames por segundo. O invento, que é a capa da revista Nature desta semana, tem potencial para revolucionar o estudo de doenças.

Usando essa técnica, chamada fotografia ultrarrápida comprimida (CUP, na sigla em inglês), os engenheiros Lihong Wang e Gene K. Beare registraram imagens de quatro fenômenos físicos: reflexão a laser pulsado, refração, propagação mais rápida que a luz e corrida de fótons. As cenas inspiradoras representam uma nova era para a exploração científica. ;Pela primeira vez, humanos podem ver a luz pulsando dessa forma. Cada nova técnica desenvolvida é sempre seguida por um número de novas invenções. Nossa esperança é que a CUP permita muitas descobertas científicas ; algumas que nem conseguimos imaginar ainda;, diz Wang.

A câmera não se parece em nada com uma dessas que você tem em casa; na verdade, é uma série de equipamentos desenvolvidos para interagir com microscópios superpoderosos e telescópios, capturando dinâmicas naturais e fenômenos físicos. ;Uma vez que os dados são capturados, a verdadeira imagem é formada no computador. Por isso, essa tecnologia é conhecida como imagem computacional;, observa Wang.

Biomedicina
Grande interessados nas aplicações futuras da câmera são os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos, que financiaram o projeto. ;Esse é um avanço de tirar o fôlego;, disse Richard Conroy, especialista do Instituto Nacional de Imagem Biomédica e Bioengenheria, que faz parte dos NIH. ;As câmeras ultrarrápidas têm o potencial de aumentar enormemente nosso conhecimento sobre interações biológicas e processos químicos.;

Uma aplicação imediata é na biomedicina. Um dos filmes feitos pela equipe da Universidade de Washington em St. Louis mostra uma luz pulsante verde de movimentando na direção de moléculas fluorescentes. Ao monitorar o processo, os pesquisadores conseguem detectar doenças em nível celular e observar as condições dentro da célula, como o pH.

Wang também vê aplicações na astronomia. A técnica poderia, por exemplo, analisar a atividade de uma supernova há muitos anos-luz. No campo da medicina forense, a CUP tem, entre outras, a capacidade de reproduzir o padrão de uma bala.

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