Do luto à incerteza

Do luto à incerteza

Corpos de duas vítimas do desastre com o voo QZ8501 da AirAsia são levados para base militar na Indonésia. Sonar teria detectado avião a mais de 30m de profundidade no Mar de Java. Causas do acidente são desconhecidas

postado em 01/01/2015 00:00
 (foto: Juni Kriswanto/AFP)
(foto: Juni Kriswanto/AFP)







Os dois primeiros corpos de vítimas do voo QZ8501, que caiu no Mar de Java, chegaram ontem a uma base militar da cidade de Surubaya, na Indonésia. Autoridades informaram que os restos mortais de 10 ocupantes do Airbus A320-220 tinham sido recuperados até a tarde de ontem e sua chegada à base era esperada ontem. No entanto, o mau tempo e as ondas de 3m de altura levaram à suspensão das buscas na região. O jato, operado pela AirAsia, fazia o trajeto entre Surabaya e Cingapura quando desapareceu no Sudeste Asiático com 162 pessoas a bordo, no domingo. A emissora de TV Channel News Asia divulgou que equipes de mergulhadores devem retomar a procura por vítimas e destroços hoje.

Segundo o Wall Street Journal, um aparelho de sonar mostrou o que seria um avião de cabeça para baixo entre 30m e 50m de profundidade. No entanto, Tony Fernandes, CEO da AirAsia, informou que a zona de buscas foi reduzida para duas áreas e negou que a estrutura principal do jato tivesse sido encontrada. ;A realidade de ver as vítimas e algumas das peças de minha aeronave destrói minha alma;, disse o executivo. Os primeiros corpos transportados a Surubaya eram de uma mulher e de um menino. Os restos mortais chegaram em caixões de madeira identificados com os números 001 e 002. Outras cinco vítimas foram preparadas para o transporte ontem. Entre os corpos recuperados, estão os de quatro homens e os de três mulheres, incluindo uma comissária de bordo.

De acordo com a rede britânica BBC, as celebrações de ano-novo em Surabaya foram canceladas e uma homenagem às vítimas foi marcada para a noite de ontem. Na cidade, a segunda maior da Indonésia, familiares das vítimas se reuniram em um centro de crise e entregaram às autoridades documentos e informações médicas para os trabalhos de identificação. Funcionários do governo de Jacarta solicitaram amostras de DNA de parentes de passageiros e tripulantes para auxiliar na identificação dos restos mortais.

Colete salva-vidas
Tatang Zaenudin, funcionário das equipes de buscas, afirmou à agência de notícias Reuters que uma das vítimas encontradas usava um colete salva-vidas. A informação não foi confirmada por autoridades, mas levantou suspeitas de que os passageiros tivessem sido informados sobre a queda na água ou que tiveram tempo de se preparar antes que o avião afundasse. Algumas das vítimas também foram encontradas completamente vestidas, indicando que o Airbus pode ter entrado em contato com o mar ainda intacto.

As causas do acidente ainda não foram esclarecidas, mas a tripulação da aeronave pediu autorização para elevar a altitude e desviar do mau tempo. O piloto, porém, parou de responder quando a permissão foi dada. A maioria das vítimas do desastre era de indonésios. Três sul-coreanos, um malaio, um cingapuriano e um francês estavam a bordo do QZ8501.

O Ministério Público de Paris abriu uma investigação preliminar por homicídio culposo após o acidente. Investigações do tipo são iniciadas quase que automaticamente quando há cidadãos da França entre as vítimas de uma catástrofe no exterior. O único francês envolvido no desastre com o jato da companhia malaia era o copiloto Rémi-Emmanuel Plésel. A agência de notícias France-Presse informou que ele tinha 46 anos e era originário da Martinica. Plésel foi engenheiro da petroleira Total, antes e mudar de profissão, em 2012, e ser contratado pela AirAsia.

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