Espumante para dois

Espumante para dois

Marcelo Oliveira e Muricy Ramalho serão os únicos técnicos da elite a passar dois réveillons seguidos no comando de seus clubes. Dos oito que passaram todo o Nacional no cargo, quatro foram demitidos

Braitner Moreira Rodrigo Antonelli
postado em 01/01/2015 00:00
 (foto: Miguel Schincariol - 26/11/14)
(foto: Miguel Schincariol - 26/11/14)


Beber espumante dois anos seguidos como empregado do mesmo clube do Campeonato Brasileiro é um feito para poucos treinadores ; de 2011 a 2013, por sinal, ninguém completou a missão. Na virada de 2015, são dois bem-sucedidos: Marcelo Oliveira, do Cruzeiro, e Muricy Ramalho, do São Paulo.

A dupla é sobrevivente da guilhotina que acomete desde os piores estaduais até a elite do país. O atual bicampeão brasileiro está no cargo desde 3 de dezembro de 2013. Muricy voltou ao tricolor em 9 de setembro de 2013.

Não por acaso, as equipes que mantiveram os treinadores por mais de um ano, dando tempo ao planejamento, terminaram o ano no topo do Nacional.

Em 2014, aumentou o número de equipes que mantiveram seus técnicos ao longo do Campeonato Brasileiro. Na temporada passada, foram seis. Na última, oito. O recorde no atual formato é de nove, em 2012 ; só não se repetiu em 2014 porque Paulo Autuori dirigiu o Atlético-MG na primeira rodada, antes de dar lugar a Levir Culpi.

Ainda assim, passar a Série A inteira à frente de uma equipe não significa estabilidade. Dos oito técnicos que conseguiram manter o pescoço intacto durante as 38 rodadas, quatro deixaram os clubes logo que a competição chegou ao fim. Foi o caso de Vagner Mancini (Botafogo), Mano Menezes (Corinthians), Ricardo Drubscky (Goiás) e Abel Braga (Internacional).

Além de Marcelo Oliveira e de Muricy, os dois que terminaram o Brasileirão em alta e seguem nos times em 2015 foram contratados após vexames nos campeonatos estaduais e, portanto, ainda não completaram um ano no cargo: Cristóvão Borges (Fluminense) e Eduardo Baptista (Sport).

Muda tudo

Das 12 equipes que mudaram de comando durante o Brasileirão, quatro fizeram apenas uma troca e seis clubes efetuaram duas. Os recordistas foram os times catarinenses: a Chapecoense fez três mudanças e o Criciúma, lanterna, cinco. O pior time do Brasileirão começou com Caio Júnior e passou por Wagner Lopes, Wilson Vanterkemper, Gilmar Dal Pozzo e Toninho Cecílio antes de fechar a competição com Luizinho Vieira.

A guilhotina do Criciúma, a bem da verdade, já estava afiada bem antes de o Nacional começar: durante o Campeonato Catarinense, o clube demitira Ricardo Drubscky depois de apenas sete partidas. E, pelas estatísticas, o melhor do clube no ano foi justamente ele, com 57,1% de aproveitamento. Toninho Cecílio, o penúltimo da lista, durou quatro jogos. Foram quatro derrotas no período.

Brasileirão, terra da forca

Número de trocas de técnico se manteve na média dos últimos anos, desde que o campeonato passou a ser disputado por 20 clubes

Ano Troca de técnicos Times que trocaram

2006 28 14
2007 24 14
2008 27 13
2009 23 15
2010 31 17
2011 22 13
2012 20 11
2013 24 14
2014 24 12

Casa, separa, casa, rebaixa

Ney Franco teve percurso inusitado em 2014. Ele começou o ano no Vitória, time pelo qual foi vice-campeão baiano. Pediu demissão após quatro rodadas do Campeonato Brasileiro, deixando a equipe na 12; posição, para assinar com o Flamengo. No Rio, durou só sete jogos: quatro derrotas e três empates. Ney Franco retornou ao Vitória a tempo de comandar a equipe em 20 rodadas. Terminou o ano rebaixado pelo time de Salvador, entregando o cargo um dia depois de consumada a queda.

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