Novo panelaço nas capitais

Novo panelaço nas capitais

Brasileiros voltam a protestar contra Dilma nas grandes cidades

JOÃO BOSCO LACERDA EDUARDO MILITÃO
postado em 17/03/2015 00:00
 (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

A noite de segunda-feira foi de panelaço contra a presidente Dilma Rousseff. Oito dias depois de pessoas baterem utensílios domésticos em janelas e varandas no momento em que a petista fazia um pronunciamento em cadeia de rádio e tevê, houve novo ato de desaprovação ao governo. Em Brasília, repórteres fotográficos do Correio flagraram panelaço, buzinaço e apitaço em prédios na Quadra 101 de Águas Claras, na SQSW 303, nas proximidades do Parque da Cidade e na SQS 206. Em outras capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Recife, houve mobilizações semelhantes.

O panelaço de ontem ocorreu no momento em que o Jornal Nacional transmitia as declarações de Dilma Rousseff sobre as manifestações de domingo (leia mais na página 5), que levaram 1,5 milhão de pessoas às ruas do país. Apesar de a origem da mobilização ser a mesma ; insatisfação com o atual governo e a escalada da corrução ;, especialistas apontam diferenças entre o panelaço e os atos nas ruas. ;Acredito que quem participa desse protesto em específico (panelaço) são pessoas que não estão acostumadas a passar fome e frio em manifestações. Em parte, o descontentamento é porque veem seu status social ameaçado, mas não creio que seja uma manifestação duradoura;, afirma Renato Janine, professor de ética e filosofia da Universidade de São Paulo (USP).

A opinião é compartilhada por Emerson Cervi, professor de ciência política da Universidade Federal do Paraná (UFPR). ;Panelaços são eventos midiáticos, e não políticos. Representam uma insatisfação muito segmentada e posicionada geográfica e socialmente, da população mais rica das grandes cidades;, diz, acrescentando que também não acredita na duração dessa forma de protesto.

Isso não significa que a mobilização nas ruas esteja fadada a desaparecer rapidamente. ;Vivemos um tempo de mobilização que se iniciou em junho de 2013, quando a população viu que o protesto muda a resposta política. É possível que, se não houver reação rápida, os atos continuem tomando fôlego;, alerta Cervi. Especialmente porque, na opinião do professor, as explicações do governo, até agora, não foram satisfatórias. ;O governo se equivocou ao colocar apenas o pacote de combate à corrupção como a principal resposta às demandas populares;, avalia Cervi.

Para o professor, a comunicação é, agora, o principal recurso do Planalto para diminuir o clamor popular. ;É preciso mostrar o que se está fazendo, por exemplo, para resolver a crise econômica. A presidente precisa admitir os erros cometidos e propor soluções.;

Próximo evento
A adesão aos protestos animou os grupos que organizaram os atos pelas redes sociais. O Movimento Brasil Livre, por exemplo, já convoca a população para nova mobilização, em 12 de abril, e fala em dobrar a quantidade de pessoas que foram às ruas em São Paulo no domingo, cerca de 1 milhão, segundo a Polícia Militar.


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