ONG aponta aumento de repressão a ativistas

ONG aponta aumento de repressão a ativistas

UCAS FADUL
postado em 17/03/2015 00:00
 (foto: Reuters)
(foto: Reuters)



Um estudo divulgado pela organização não governamental Chinese Human Rights Defenders (CHRD) revelou um aumento na repressão a ativistas na China. De acordo com o relatório, os defensores de direitos humanos sofreram grave represália no ano passado, quando quase mil foram detidos pelo governo comunista de Pequim. O número de encarcerados no país, em 2014, aproxima-se do total registrado nos dois anos anteriores (1.160). A CHRD chegou a comparar as retaliações promovidas pelas autoridades chinesas contra militantes àquelas observadas durante a década de 1990, depois do Massacre da Praça da Paz Celestial, em junho de 1989.

Intitulado ;Silenciando o mensageiro: relatório anual de 2014 sobre a situação dos defensores dos direitos humanos na China;, o levantamento afirma que 995 ativistas foram presos no último ano. A organização aponta os protestos ocorridos à época do 25; aniversário do Massacre da Praça da Paz Celestial e as manifestações por mais democracia em Hong Kong (quando 200 pessoas foram detidas pela polícia) como os dois ;períodos sensíveis; enfrentados pelo governo chinês. ;O segundo ano do governo de Xi Jinping foi ainda mais draconiano que o primeiro;, critica Renee Xia, diretor da CHRD. ;Vemos o desenrolar e implantação das políticas de Xi contra qualquer dissidente, especialmente os organizados;, completa.

Desaceleração
;O que a CHRD comenta no relatório confere totalmente com os nossos próprios levantamentos sobre a China e sobre o que tem ocorrido por lá;, disse ao Correio Maurício Santoro, assessor de direitos humanos da Anistia Internacional no Brasil. Em entrevista por telefone, o cientista político afirmou que o aumento da repressão no país asiático se deve, além dos protestos, a uma nova conjuntura política. ;Primeiramente, esse é um governo novo, que chegou ao poder em 2012 e ainda busca afirmação;, analisa Santoro. ;Pequim enfrenta um cenário, não propriamente de crise, mas de diminuição do crescimento econômico, se comparado às décadas anteriores, e está preocupado com os impactos disso;, acrescentou.

Na avaliação de Santoro, as mudanças políticas ocorridas na China, nos últimos anos, foram pueris. ;A opção feita pelo governo desde o Massacre da Praça da Paz Celestial foi muito clara: (a reforma) não seria igual à União Soviética, dissolvida pelas aberturas política e econômica concomitantes. Os chineses escolheram contemplar apenas a economia;, lembra. ;Entretanto, podemos mencionar avanços pontualmente positivos, como a abolição do trabalho forçado, uma atrocidade dos tempos de Mao Tsé-Tung. Aqui e ali, nós percebemos alguns bons resultados, embora eles sejam pontuais dentro de um cenário geral marcado por muita repressão;, conclui o especialista.


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