Ataque no museu: terror mata turistas na Tunísia

Ataque no museu: terror mata turistas na Tunísia

Comando armado invade uma das principais atrações turísticas da Tunísia e mata 20 pessoas, na maioria turistas estrangeiros. Polícia afirma ter executado dois extremistas e caça mais "dois ou três" suspeitos

GABRIELA FREIRE VALENTE
postado em 19/03/2015 00:00
 (foto: AFP)
(foto: AFP)





Um atentado contra o Museu do Bardo, um dos principais pontos turísticos da Tunísia, deixou pelo menos 20 mortos e 40 feridos ; na maioria, turistas de diversas nacionalidades que visitavam o precioso acervo, em Túnis. O ataque foi executado por um grupo de homens armados que vestiam uniformes militares e atiraram contra os civis. Embora autoridades tenham classificado o episódio como um ato terrorista, nenhuma organização reivindicou a autoria da ação até o fechamento desta edição.

Autoridades tunisianas chegaram a avisar a representação brasileira no país sobre a possibilidade de que um brasileiro estivesse entre as vítimas. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, porém, o encarregado de negócios em Túnis constatou que não havia brasileiros entre as vítimas. A nota do Itamaraty condenou o ;covarde atentado; contra o museu e reiterou seu ;absoluto repúdio a atos de terrorismo e ataques contra civis inocentes, praticados sob qualquer pretexto;. O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, o governo americano e autoridades europeias também protestaram contra o atentado.

O ataque ao Museu do Bardo foi o mais grave envolvendo estrangeiros na Tunísia desde 2002, quando a rede terrorista Al-Qaeda realizou um atentado suicida contra uma sinagoga. A ação ocorreu por volta do meio-dia (8h em Brasília), quando cerca de 100 pessoas estavam no local. Segundo o Ministério do Interior, oito pessoas foram mortas logo ao desembarcar de um ônibus turístico. Dez foram inicialmente tomadas como reféns e também acabaram assassinadas. Entre os mortos estão turistas da Itália, Alemanha, Polônia, Espanha, França Austrália e Colômbia. Morreram ainda dois tunisianos, um policial e um motorista de ônibus.

A operação de retomada do museu foi declarada encerrada após quatro horas do início do ataque. Os sequestradores chegaram a trocar tiros com agentes de segurança que tentaram impedir a ação. Segundo a imprensa local, dois dos terroristas foram mortos no local e um foi preso. Mais três eram procurados pelas autoridades. ;Há a possibilidade, mas não a certeza, de que (os dois agressores mortos) foram ajudados por dois ou três elementos, e lançamos vastas operações para identificar esses terroristas;, afirmou o primeiro-ministro Habib Essid.

Testemunha
Testemunhas afirmaram que os agressores portavam fuzis Kalachnikov e granadas. Segundo o jornal espanhol El País, o prefeito da cidade catalã de Vallmoll, Josep Lluis Cusidó, estava no museu no momento do ataque. ;Saí correndo, subi as escadas do museu, vi uma porta e entrei. O terrorista estava a 2m!”, descreveu. ;Tudo se passou muito depressa. Eles não paravam de atirar;.

Mohamed Ali Aroui, porta-voz do Ministério do Interior, afirmou à imprensa que forças contraterroristas impediram que o ataque se espalhasse para instalações vizinhas, como ministérios ou o parlamento. A deputada Sayida Ounissi relatou no Twitter que o som dos tiros despertou pânico entre os que estavam na sede do Legislativo. Ela relatou que o tiroteio ocorreu durante uma audiência sobre uma lei antiterrorismo, que contava com a presença do ministro da Justiça e de vários oficiais do Exército.

A Tunísia foi o primeiro país a experimentar a série de revoltas populares que ficou conhecida como Primavera Árabe. Desde a revolução de janeiro de 2011, que depôs o presidente Zine El-Abidine Ben Ali, o país testemunhou o crescimento do extremismo islâmico e de ataques contra agentes de segurança e autoridades. Além da presença no país de grupos ligados à Al-Qaeda, cerca de 3 mil tunisianos se uniram às fileiras de jihadistas no exterior.

Segundo a rede britânica BBC, tunisianos se reuniram para protestar contra o terrorismo no centro de Túnis.

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