Jihadistas tomam cidade do Iraque

Jihadistas tomam cidade do Iraque

Depois de uma ofensiva que deixou 500 mortos, extremistas obtêm o controle de Ramadi. Na Síria, o grupo sofre revés e é expluso de Palmira

postado em 18/05/2015 00:00
 (foto: Sabah Arar/AFP)
(foto: Sabah Arar/AFP)

A capital de Al-Anbar, maior província do Iraque, foi tomada pelo Estado Islâmico. Apesar do apelo do primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, para que as tropas mantivessem suas posições, os jihadistas conseguiram controlar Ramadi depois de uma ofensiva que deixou cerca de 500 pessoas mortas, entre civis e forças de segurança. Centenas de policiais, soldados e combatentes tribais abandonaram a cidade, o que representa uma enorme vitória para o Estado Islâmico.

Vinte e quatro horas antes, oficiais de Bagdá haviam anunciado reforço militar para defender Ramadi, mas as tropas sequer conseguiram chegar devido ao controle das estradas. ;Foi uma deterioração gradual. O centro de comando das operações na província de Al-Anbar foi desertado;, confirmou à agência France-Presse Muhannad Haimour, porta-voz e conselheiro do governador da província.

O abandono da cidade forçou o primeiro-ministro a convocar milícias iranianas alinhadas aos xiitas para tentar resgatar a capital de Al-Anbar das mãos dos jihadistas. No fim da noite de ontem, o governo dos Estados Unidos, por meio do Pentágono, afirmou que a situação ainda não estava definida e que o confronto prosseguia.

No entanto, os jihadistas, comemoravam. ;Deus permitiu aos soldados do Califado limparem toda a cidade de Ramadi;, escreveu o Estado Islâmico em fórnus terroristas da internet. Com a tomada de Ramadi, o grupo jihadista controla a maior parte da vasta província desértica de Al-Anbar, que se estende das fronteiras com a Síria, a Jordânia e a Arábia Saudita. No Iraque, a organização proclamou um califado islâmico.

Derrota
Mas o Estado Islâmico também sofreu duas perdas no fim de semana. Na Síria, os jihadistas foram repelidos pelo exército na periferia de Palmira, cidade estratégica no centro do país, que abriga ruínas catalogadas como patrimônio mundial da humanidade pela Unesco. As forças do regime sírio conseguiram expulsar os combatentes, depois de violentos combates. ;O ataque do EI foi abortado e os jihadistas foram expulsos da periferia norte e leste de Tadmor (nome de Palmira em árabe);, afirmou Talal Barazi, governador de Homs, província à qual essa cidade de mais de 2 mil anos de antiguidade pertence.

De quarta-feira até ontem, a batalha de Palmira deixou ao menos 315 mortos, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), organização não governamental baseada na Grã-Bretanha. As vítimas incluem 123 soldados e milicianos leais ao regime, 135 combatentes do EI e 57 civis, muitos deles executados pelo grupo extremista. A leste de Palmira, os combates se concentraram nos arredores da prisão da cidade. Ao menos 20 jihadistas foram mortos atingidos por um barril de explosivo lançado pelo regime quando tentavam atacar a prisão.

O outro revés sofrido pelo Estado Islâmico foi a operação militar americana na Síria, no sábado, que terminou com a morte de 32 jihadistas, incluindo quatro líderes. Entre eles, estava um homem identificado como Abu Sayyaf, que seria um dos principais nomes do grupo terrorista. O Pentágono anunciou que Sayyaf morreu em uma troca de tiros com as forças americanas e que a mulher dele, possivelmente integrante do Estado Islâmico, foi levada para um presídio do Iraque, onde seria interrogada sobre as atividades do grupo e o paradeiro de americanos sequestrados pelos terroristas. Além de Abu Sayyaf, responsável pela venda de petróleo e gás do EI, morreram o vice-;ministro da Defesa; do grupo, um encarregado de comunicação e um quarto líder não identificado.

Atentado talibã
Um atentado suicida lançado pelos talibãs em Cabul matou um britânico, membro da missão europeia de polícia no Afeganistão (Eupol), e duas jovens afegãs. A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, reagiu ao ataque, oferecendo apoio às autoridades afegãs para garantir a segurança do país. O presidente afegão, Ashraf Ghani, condenou o atentado em um comunicado, dizendo que a ;morte de civis, particularmente de mulheres e crianças, mostra que os terroristas foram vencidos no terreno por nossas forças de segurança;. Desde a partida da maior parte das tropas de combate da Otan, em dezembro, as forças de segurança afegãs estão sozinhas contra a insurgência talibã.



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