Em modo de espera

Em modo de espera

Preparação para as Olimpíadas faz com que atletas adiem sonhos da vida pessoal e foquem nos Jogos. Há quem queira ser mãe, dedicar-se aos estudos e até mesmo seguir outra carreira

RODRIGO ANTONELLI
postado em 30/06/2015 00:00
 (foto: Ed Alves/CB/D.A Press - 28/10/14)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press - 28/10/14)


A aproximação dos Jogos Olímpicos do Rio-2016 faz a rotina de muitos atletas mundo afora virar de cabeça para baixo. A frequência de treinamentos e competições aumenta, a dieta é readequada e, às vezes, até a cidade de moradia passa a ser outra. A vida pessoal, consequentemente, perde espaço e fica em modo de espera. Vestibular, faculdade, projetos paralelos e até a família ficam de lado em prol do objetivo maior: a medalha olímpica.

O brasiliense Bernardo Oliveira, por exemplo, decidiu trancar o curso de engenharia de redes este ano, na Universidade de Brasília (UnB), para se concentrar nos treinamentos do tiro com arco. ;É a minha prioridade agora. Até os Jogos, tenho de focar totalmente nisso, melhorar a cada dia, para representar bem o Brasil;, conta o jovem de 22 anos, uma das promessas do país no esporte. Ele está concentrado com a Seleção da modalidade no Rio de Janeiro, em fase final de preparação para os Jogos Pan-Americanos.

;A ideia é me manter na Seleção e disputando essas competições importantes até lá, para garantir presença. Depois, posso parar um pouco com o esporte e focar nos estudos. Sei da importância de ter uma formação;, emenda o atleta, que teve o apoio dos pais para trancar a faculdade. Como o tiro com arco não é um esporte extremamente dependente do físico, Bernardo crê que pode voltar a praticar em alto nível mesmo se ficar afastado por dois ou três anos, enquanto estuda para completar o curso de engenharia.

A pausa na vida pessoal de Bernardo, porém, é fichinha perto do sonho que Aline Ferreira, da luta olímpica, teve que adiar por causa dos Jogos de 2016. Aos 28 anos, ela conta que pretende ser mãe, mas não pode nem pensar no assunto enquanto não chegam as Olimpíadas. ;Estou me programando para isso depois dos Jogos. A prioridade, hoje, é totalmente a luta. Mas, depois, quero me concentrar mais na minha vida;, disse a primeira medalhista brasileira em mundiais de luta olímpica ao Correio, em entrevista em abril.

;Não é uma fase fácil mesmo. O estresse bate, às vezes, e temos de pedir a compreensão de quem está com a gente. Eu, por sorte, tenho um marido nota 10. Ele me ajuda até com os treinos;, ressalta Aline. Ela lembrou que, recentemente, está difícil até acompanhar os episódios da série norte-americana Game of Thrones, sua favorita.

Poliana Okimoto, nadadora de águas abertas, é outra que sonha ter filhos e vem adiando os planos para depois das Olimpíadas. A vontade é tanta que, volta e meia, cita em sua entrevistas os desejados ;Okimotinhos;.

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