Apenas uma promessa de Obama

Apenas uma promessa de Obama

Especialistas veem com reserva a sinalização dos EUA de investir no Brasil, mas destacam o simbolismo do anúncio

» JOÃO VALADARES » JULIA CHAIB
postado em 01/07/2015 00:00





A declaração conjunta da presidente Dilma Rousseff e do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sobre o interesse de investimento do país estrangeiro no plano de concessões anunciado pelo governo brasileiro há 20 dias foi vista por alguns especialistas da área como um gesto meramente genérico e protocolar. Outros destacam a importância do simbolismo da parceria entre as duas nações. O programa prevê obras em aeroportos, portos, rodovias e ferrovias. O investimento estimado é da ordem de R$ 198,4 bilhões.

Obama ressaltou a união dos países para avançar. ;A presidente e eu achamos que há muito mais que podemos fazer juntos. Dilma, agradeço seu compromisso pessoal de dar o próximo passo em nossa parceria. Por isso, trabalhamos nesse sentido. Estamos anunciando uma série de novas etapas para melhorar o comércio, os investimentos e os empregos em nossos países;, salientou. Ele destacou o interesse norte-americano. ;Com o anúncio recente sobre infraestrutura no Brasil, empresas norte-americanas terão mais oportunidade para concorrer em projetos que desenvolvam rodovias, aeroportos, portos e ferrovias do Brasil;, disse Obama.

O pesquisador de Infraestrutura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Carlos Campos analisou que não houve nenhuma novidade. ;Eu acredito que é mais protocolar mesmo. As rodovias e os aeroportos continuam na mesma sistemática anterior. Há aquela lentidão típica, mas devem avançar. Em relação às ferrovias, ainda vai demorar muito. É investimento bem para frente;, opinou.

Campos observa a declaração de Obama com cautela. ;Vejo da mesma forma quando os chineses disseram que investiram US$ 50 bilhões de dólares no Brasil: com bastante reserva. Gostaria de ver esse capital efetivamente ingressando no Brasil;, afirmou. O pesquisador ressaltou que, mesmo que o capital estrangeiro chegue, o processo será muito lento. ;Não estamos preparados para recebê-los (os recursos). O Brasil, quando anuncia um programa de investimento, não se prepara;, informou.

Conversas
Diretor de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Abijaodi acredita que a visita de Dilma aos Estados Unidos tem um simbolismo importante por representar a retomada das conversas com uma parceira importante. ;A visita mostra a necessidade e a visão empresarial do Brasil de estar inserido no lugar onde as coisas estão acontecendo;, avalia.

Na avaliação de Abijaodi, a viagem de Dilma pode contribuir com a atração das empresas ao plano de concessões, considerado um dos principais motores para o crescimento do país. Segundo relatos ouvidos pelo diretor, o plano foi bem recebido, e isso é importante para a melhoria da iniciativa. ;Para alguns setores, a participação norte-americana é muito importante, porque eles têm grande tecnologia, como na área de portos e aeroportos. E também tem dimensões como o Brasil. Algumas dificuldades, como o tamanho do país, são mais fáceis de superar para eles;, disse.

A ;intromissão; ianque
Na coletiva de imprensa conjunta entre Barack Obama e Dilma Rousseff na Casa Branca ontem, o presidente norte-americano ;atravessou; a colega sul-americana. Quando a petista foi questionada por uma repórter brasileira sobre o fato de o país se enxergar como potência global enquanto o mundo enxergava o Brasil como ator meramente regional, Obama interveio. ;Bom, eu, na verdade, vou responder em parte a questão que você acabou de fazer para a presidente (Dilma). Nós vemos o Brasil não como uma potência regional, mas como uma potência global;, disse o democrata. Na sequência, Dilma agradeceu a Obama pela resposta.



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