Francisco faz visita "multiétnica" às raízes

Francisco faz visita "multiétnica" às raízes

postado em 01/07/2015 00:00
 (foto: Filippo Monteforte/AFP - 29/6/14)
(foto: Filippo Monteforte/AFP - 29/6/14)


O primeiro papa latino-americano embarca no fim da semana para uma viagem que reafirma o apreço pelas origens e pela vocação multicultural. Entre os dias 5 e 13, Francisco visitará Equador, Bolívia e Paraguai, roteiro que rendeu comentários desde o fim de semana: o governo boliviano anunciou que o pontífice manifestou a intenção de acompanhar o costume local e mascar folha de coca para mitigar os efeitos da altitude. Ontem, ao apresentar à imprensa o roteiro da turnê, o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, comentou a controvérsia em torno do tema e, sem confirmar nem desmentir a informação, anunciou que Francisco ;agirá da maneira que achar oportuna;.

;Ele não me confirmou nem negou se vai se adequar a esse uso tão popular e eficaz; contra os distúrbios sentidos a mais de 3.000m do nível do mar, disse Lombardi. Mascar a folha de coca, prosseguiu o porta-voz da Santa Sé, ;é como tomar o mate argentino, que ele normalmente aceita quando lhe oferecem, na Praça de São Pedro;. Francisco, 78 anos, teve um pulmão extirpado na juventude e é particularmente afetado pelo ar rarefeito das regiões elevadas. ;Foram programadas etapas breves e evitou-se que ele pernoitasse em cidades com muita altitude;, afirmou o porta-voz. Em especial, os organizadores da viagem preocupam-se com a chegada ao país, no dia 8: o aeroporto de El Alto, próximo à capital, fica a mais de 4.000m.

Na internet, a página Vatican Insider informa que João Paulo II, quando visitou a Bolívia, em 1988, também fez uso da folha de coca, mas na forma de infusão.

Jipe

Assim como no Equador e no Paraguai, Francisco usará um papamóvel aberto, um jipe para terrenos irregulares e um carro comum para trajetos mais rápidos, porém nunca um veículo blindado. Fiel ao espírito multiétnico expresso desde o dia da eleição no conclave ; quando se apresentou aos fiéis como um papa ;trazido do fim do mundo; ;, Francisco orientou os auxiliares a prepararem a agenda ;levando em conta a variedade e a riqueza das diferentes etnias e populações dos três países, os grupos indígenas, a realidade mestiça e os idiomas locais, como quéchua, aimara, guarani;, revelou Lombardi. O roteiro prevê escalas de 48 horas em cada país, começando por Quito e Guayaquil, no Equador.

Na Bolívia, os destinos serão La Paz e Santa Cruz; e, no Paraguai, Assunção e Caacupé. Lombardi ressaltou o apreço do pontítice pela história do continente e pelos conflitos passados e recentes, razão pela qual não abordará temas como a disputa territorial entre Chile e Bolívia.

A expectativa da Santa Sé é de que de 1 milhão a 2 milhões de fiéis assistam às missas celebradas pelo pontífice, que pronunciará 22 discursos e homilias. No Equador, ele celebrará missa campal em Quito, com representantes de populações indígenas. Na Bolívia, prestará homenagem ao jesuíta espanhol Luis Espinal, vítima da repressão que antecedeu o golpe militar de 1980. No Paraguai, visitará a região de Bañado Norte, área pobre de Assunção.

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