Cliente exige alto nível do mercado da beleza

Cliente exige alto nível do mercado da beleza

Setor que movimenta R$ 350 milhões por mês na cidade precisa de mão de obra capacitada, segundo pesquisa. Metade dos estabelecimentos procura pessoal com experiência, a pedido dos consumidores. Ramo reclama da falta de cursos

» THAÍS PARANHOS
postado em 01/07/2015 00:00



Nos últimos 10 anos, o mercado da beleza ganhou espaço no Distrito Federal e apresentou crescimento acima da média na cidade: 8% de dois anos para cá. São cerca de 8 mil salões e clínicas de estética com registro que, juntos, movimentam mais de R$ 350 milhões por mês. Ambiente preferido para quem deseja incrementar o visual, os estabelecimentos prezam pela fidelização do cliente. Para isso, os proprietários investem na contratação de mão de obra qualificada. Pesquisa encomendada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) apontou que quase 75% dos estabelecimentos só contratam funcionários capacitados para a função e metade deles exige experiências anteriores. No entanto, quem está no ramo há algum tempo reclama da falta de cursos oferecidos na capital.

Entre março e abril deste ano, os pesquisadores do Instituto Fecomércio, responsável pela pesquisa, visitaram 700 salões de beleza em Brasília, Taguatinga, Sobradinho, Gama e Ceilândia. As regiões foram escolhidas por terem Centro de Educação Profissional do Senac. Quase 80% dos estabelecimentos funcionam em comércio de rua, deixando shoppings e galerias para trás. Em Taguatinga e Ceilândia, concentram-se os microempreendedores individuais, ou seja, os que têm renda de até R$ 60 mil por ano. No Plano Piloto, estão aqueles com faturamento entre R$ 72 mil e R$ 360 mil, incluídos na categoria de microempresários.

O estudo mostra também que a renda frequente dos profissionais fica entre R$ 1,5 mil e R$ 2,3 mil. O rendimento médio, independentemente do tamanho da empresa, supera os R$ 3,6 mil. ;É um mercado promissor e que oferece entrada aos empreendedores individuais. A renda pode ser considerada alta para a categoria;, explicou o presidente da Fecomércio, Adelmir Santana. Segundo levantamento do Sindicato dos Salões de Barbeiros e Cabeleireiros e Institutos de Beleza do DF (Sincaab-DF), são mais de 20 mil funcionários empregados no segmento. A pesquisa do Senac apontou que 86% das empresas têm, em média, cinco funcionários.

Investimento próprio

Maria do Carmo Silveira, 58 anos, é dona de um salão na 204 Sul há 24 anos. Já passou pelo sistema de cooperativas, no qual alugava espaço para outros profissionais, voltou atrás e hoje tem seis funcionários que trabalham com ela. Preocupada sempre em se atualizar, Maria do Carmo investe em cursos de qualificação. Mas, para isso, precisa tirar dinheiro do próprio bolso, uma vez que esses cursos são realizados, na maioria das vezes, fora do Distrito Federal. ;Isso é fundamental na nossa profissão. Quando você termina de conhecer um produto, outro já apareceu;, diz. Maria do Carmo defende a criação de uma faculdade no DF.

Ela reclama, no entanto, da falta de cursos oferecidos no DF. ;Quando queremos participar de alguma capacitação, temos que investir dinheiro próprio para a compra das passagens e o pagamento das hospedagens, porque quase não há por aqui. Feiras e congressos para conhecer um produto novo ficam por nossa conta também;, lamenta. Para ela, a falta de incentivo no setor é um dos principais fatores para deixá-lo defasado. ;Temos muitas dificuldades para continuar no mercado, ainda mais agora, com as novas regras (veja Para saber mais);, comenta. A chegada da internet, por exemplo, criou outro desafio para os salões de beleza. ;Hoje, a cliente conhece o produto antes do profissional. E o mercado em Brasília é atrasado. Quando sai um produto novo, ele é lançado no Rio e em São Paulo primeiro, só depois chega por aqui;, comenta Maria do Carmo.


Para saber mais

Lei pela saúde

A partir do ano que vem, os salões de beleza deverão ter um responsável técnico por implementar e acompanhar os procedimentos de esterilização e de gestão de materiais e resíduos. A Norma Regulamentadora n; 6/2014 da Vigilância Sanitária, publicada em janeiro no Diário Oficial do DF, determina que um profissional fique encarregado de acompanhar os processos e, em caso de dano ao cliente, poderá ser responsabilizado. A norma foi elaborada no governo passado. A Vice-Governadoria do DF, as secretarias de Economia e Desenvolvimento Sustentável e de Saúde e o sindicato da categoria criaram um grupo de trabalho para discutir possível alterações nas regras.

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