Cai investimento externo

Cai investimento externo

ANTONIO TEMÓTEO
postado em 23/07/2015 00:00

A retração da economia brasileira em 2015 e a falta de perspectivas de retomada do crescimento a curto prazo derrubaram a entrada de recursos de companhias estrangeiras no país. Dados divulgados ontem pelo Banco Central apontam que, nos seis primeiros meses do ano, o Investimento Direto no País (IDP) somou US$ 30,9 bilhões, 32,7% menos do que no mesmo período de 2014. O volume foi insuficiente para cobrir o deficit em transações correntes, que chegou a US$ 38,2 bilhões de janeiro a junho.

Com a retração dos investimentos, o país fica mais dependente de capitais especulativos para financiar o rombo nas contas externas. Sem as condições macroeconômicas adequadas, como inflação controlada, atividade em expansão e geração de empregos, os especuladores podem, a qualquer momento, transferir esses recursos para outros mercados. Em junho, no entanto, empresas estrangeiras aplicaram US$ 5,4 bilhões no Brasil, o suficiente para cobrir o deficit em transações correntes, que ficou em US$ 2,5 bilhões.

O chefe adjunto do Departamento Econômico do BC, Fernando Rocha, destacou que, no primeiro semestre, mesmo ficando acima do IDP, o deficit externo encolheu 23,4% em relação ao mesmo período do ano passado, quando totalizou US$ 49,9 bilhões. Ele explicou que a redução foi provocada pelo fraco nível de atividade, que afeta diversos indicadores que compõem as contas externas. Segundo ele, a redução significativa das importações, das viagens de brasileiros ao exterior e das remessas de lucros e dividendos ao exterior contribuíram para esse resultado.

Nas contas da autoridade monetária, o rombo nas contas externas será de US$ 81 bilhões em 2015, 22,6% menor que o observado no ano passado. Já o IDP totalizará US$ 80 bilhões, volume que financiará quase a totalidade do deficit em transações correntes. ;A redução do deficit pode ser observado em diversos componentes da conta porque a atividade econômica está fraca. Somente o aluguel de equipamentos registra alta porque a extração de petróleo está crescendo;, sinalizou Rocha.

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