Terrorismono dia a dia

Terrorismono dia a dia

postado em 12/09/2015 00:00

Quatorze anos atrás, o mundo ficou atônito. As torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, foram alvo do maior ato terrorista perpetrado contra os norte-americanos, sob patrocínio da rede terrorista Al-Qaeda, comandada pelo fundamentalista Osama bin Laden. No início da manhã de 11 de setembro de 2001, a maioria dos habitantes do planeta nem sequer tinha noção do significado de dois aviões serem jogados sobre o complexo empresarial da maior potência mundial. Nenhum dos passageiros sobreviveu. Quase 3 mil pessoas morreram com a colisão. Na ação suicida sincronizada, o Pentágono, sede do comando das Forças Armadas, também foi atingido por uma aeronave.

Os Estados Unidos estavam desafiados ao confronto pela Al-Qaeda, organização criada no Afeganistão. As fragilidades norte-americanas foram expostas ao mundo. Como os extremistas conseguiram furar o sistema de segurança, sequestrar aviões e produzir tamanha tragédia em solo da maior potência mundial? Faltavam respostas para a indagação. Ainda no primeiro mandato, Barack Obama deu aos americanos e ao mundo a cabeça de Osama bin Laden. Morto em 2 de maio de 2011, o líder terrorista teve o corpo jogado em local não divulgado no oceano.


A morte de Osama bin Laden não extirpou o terrorismo. Em lugar das torres gêmeas, consolidou-se a insegurança e o medo na maioria dos países. Hoje, o mundo vive assombrado com as ações do Estado Islâmico, no Oriente Médio, do Boko Haram, na Nigéria, e de outros grupos. O EI avança sobre os monumentos históricos, recruta jovens desavisados em vários pontos do planeta, sequestra mulheres, enterra crianças vivas, torna adolescentes escravas sexuais, decapita e queima inocentes. Nada é feito para conter a fúria dos fundamentalistas. A mesma força terrorista move Boko Haram, na África. Por onde passa, desenha rastro de destruição e luto.


As nações ocidentais que, historicamente, sempre se uniram para intervir em áreas de conflito em defesa da democracia e dos valores humanitários lamentam (e só lamentam), mão não usam o poder que têm para pôr fim ao drama de milhões de pessoas. A Europa está dividida em relação aos refugiados que enfrentam as tormentas do Mar Mediterrâneo para alcançar o continente. Entre os 22 países da União Europeia, há grande divergência quanto ao destino dos migrantes. Solidariedade tem limites e ela fica antes da linha de fronteira.


A tragédia do 11 de setembro de 2001 vem se repetindo no dia a dia de milhares de pessoas em todo o planeta, por meio de ações bélicas ou no universo virtual. O avanço do desenvolvimento político e econômico das nações parece ter reduzido a humanidade dos que têm poder de decisão. Vidas se perdem na insensatez dos governantes e dos que buscam impor pela força a hegemonia dos próprios sistemas de vida. A fome em território africano faz tanto mais vítimas do que aquelas que sucumbiram com as torres gêmeas.


São insuficientes as medidas até agora anunciadas, tanto pelos europeus, quanto pelos Estados Unidos para mitigar o drama dos refugiados e dos famintos. Igualmente, emergem como insatisfatórios os acordos pelo fim dos conflitos. Não será preciso destruir torres. As desigualdades, os embates que nutrem fortunas e a indiferença são forças tão devastadoras quanto o 11 de setembro. As lições do passado caem no limbo, quando deveriam construir um futuro de paz.

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