Manifesto contra aumento de impostos

Manifesto contra aumento de impostos

Marcella Fernandes
postado em 17/09/2015 00:00

Em mais uma demonstração de resistência à criação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), deputados e senadores de seis partidos de oposição e da base lançaram um manifesto contrário ao tributo. Chamada ;Basta de imposto, não à CPMF;, a iniciativa tem apoio de DEM, PSDB, PPS, PSC, PP e PMDB. O grupo é o mesmo que lançou, na semana passada, um movimento pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff.

De acordo com o pacote de ajuste anunciado pelos ministros da Fazenda e do Planejamento na segunda-feira, a volta do imposto aumentaria em R$ 32 bilhões a receita da União. Das medidas propostas, essa é a que tem maior impacto nas contas do governo. Para a CPMF virar realidade, é preciso que o Congresso aprove uma proposta de emenda à Constituição (PEC), que precisa de três quintos dos deputados para passar em plenário, depois de ser aprovada por duas comissões. Anteontem, parlamentares evidenciaram à presidente Dilma Rousseff a dificuldade de conseguir votos.

As lideranças da oposição anunciaram que vão levar o assunto às executivas dos partidos para fechar questão nas bancadas, ou seja, todos os parlamentares dessas legendas votariam contra a recriação do tributo. Ao lançar o movimento, as críticas foram direcionadas à dificuldade do governo em cortar gastos e à propostas do ajuste, como a que condiciona o uso das emendas parlamentares.

;Para aumentar imposto, o governo tem de ter credibilidade. E esse governo não tem, nem interna nem externa;, afirmou o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (PSDB). Segundo ele, o manifesto expressa o sentimento da sociedade. Para o líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE), os brasileiros arcam com uma carga tributária alta, de 36% do Produto Interno Bruto, mas não recebem em troca serviços de qualidade. ;O Estado é que tem que fazer seu dever de casa, cortando na carne, reduzindo o tamanho da máquina, e não onerando ainda mais a população;, afirmou.

A recriação da CPMF enfrenta também resistência do empresariado. Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaff, que conversou com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, as medidas que aumentam impostos e juros e reduzem o crédito são prejudiciais para a economia. ;O governo precisa tapar o buraco que ele abriu por ser um gastão. O governo gasta muito e gasta mal;, disse.


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