Alerta para plano de terror da Al-Qaeda

Alerta para plano de terror da Al-Qaeda

Serviço de inteligência recomenda reforço de segurança em shoppings de Buenos Aires que estariam na mira de células terroristas

postado em 31/10/2015 00:00
 (foto: Eitan Abramovich/AFP)
(foto: Eitan Abramovich/AFP)

O Ministério da Segurança da Argentina emitiu alerta de segurança sobre uma possível ação terrorista em dois shoppings de Buenos Aires. O documento é assinado pelo diretor da Direção Nacional de Inteligência Criminal, Sebastián Ferández Ciatti, e foi publicado na última terça-feira, mas fontes do governo afirmaram ontem que o risco continuava presente. Autoridades atribuíram a ameaça ao grupo extremista Ansar Dine, uma organização do sul do Mali ligada à Al-Qaeda no Magreb Islâmico. Na noite passada, o secretário de Segurança, Sergio Berni, afirmou que agências de segurança ficariam atentas nas 48 horas seguintes, mas acrescentou que não havia motivos para alarde.

O documento assinado por Ciatti foi endereçado à Polícia Federal argentina e pede reforço na segurança nos shoppings Unicenter e Abasto, localizados em bairros que abrigam parte da comunidade judaica argentina, e também nas fronteiras. O diretor da inteligência também recomenda atenção para a entrada de cidadãos do Mali. O texto menciona informações recebidas por legações diplomáticas da Argentina. Segundo o jornal Clarín, a denúncia foi feita pela embaixada em Paris. O site de notícias Infobae informou que a comunicação teve origem em um telefonema feito da Costa do Marfim e interceptado pelos serviços de inteligência franceses.

Berni explicou à imprensa que o alerta foi recebido na terça-feira e que protocolos para prevenção de ataques terroristas foram adotados imediatamente, mas de maneira gradual. Segundo o secretário, uma das medidas seria o reforço do contingente de segurança em centros comerciais ;nas próximas horas;. Ele relatou que as informações foram cruzadas com parceiros internacionais e frisou que, até então, não havia elementos que justificassem alarde. Berni se recusou a responder perguntas da imprensa, alegando que o tema era ;sensível; e ;confidencial;.

Segundo o Infobae, o governo argentino teria contado com apoio da Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos e do serviço israelense de inteligência externa, o Mossad, para obter mais informações sobre a ameaça. A publicação relatou que clientes dos shoppings mencionados no documento da Direção Nacional de Inteligência Criminal confirmaram o aumento do número de forças de segurança, inclusive de uma brigada antiexplosivos.

Eleições
No fim da primeira semana de campanha para o inédito segundo turno da eleição presidencial, o candidato governista, Daniel Scioli, desmentiu ontem qualquer tensão com a presidente Cristina Kirchner. Scioli rebateu suspeitas de que o apoio da mandatária à sua candidatura estaria abalado, depois de ela ter feito o primeiro pronunciamento após o primeiro turno sem a presença do afilhado político ; e sem mencioná-lo.

Cristina falou por cerca de duas horas, na Casa Rosada. O pretexto era anunciar um projeto de bosques nativos, mas o discurso foi recheado por referências à eleição e críticas à oposição. Apesar de seu nome não ter sido mencionado, Scioli se disse satisfeito. ;Ela convocou a militância, que é o coração daqueles que defendem essas ideias e propostas. Foi um respaldo claro e contundente;, afirmou.

O bom desempenho do candidato oposicionista Mauricio Macri, que ficou menos de quatro pontos percentuais atrás de Scioli, tem dificultado a campanha governista para a votação decisiva. Scioli é tido como um peronista menos radical que a atual presidente. Por isso, não representaria a continuidade do kirchnerismo. Em sua fala, Cristina lembrou que há diferenças dentro da base, mas assegurou que a legenda está disposta a ;levar adiante as políticas que permitiram a milhões de pessoas carentes saírem da pobreza;.


Memória

A sombra do caso Amia

A comunidade judaica argentina foi o alvo dos últimos ataques terroristas internacionais cometidos no país. Em 1992, um atentado contra a embaixada de Israel deixou 29 mortos e 200 feridos. Dois anos depois, a explosão de uma bomba na sede da Associação Mútua Israelita Argentina (Amia) matou 85 pessoas e feriu 300. O caso da Amia voltou à tona com a morte do procurador Alberto Nisman, encontrado baleado em seu apartamento, em janeiro passado, às vésperas de denunciar a presidente Cristina Kirchner e outros funcionários do governo por encobrimento dos autores do ataque.

Nisman trabalhava no caso Amia desde 1997 e deveria apresentar a denúncia ao Congresso. Desde 2006, ele sustentava que o governo iraniano e o grupo xiita libanês Hezbollah estariam por trás da ação, e acusava o governo argentino de ter articulado a retirada do nomes de suspeitos de uma lista preparada pela Interpol. A morte do promotor desencadeou uma série de protestos na Argentina.




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