A mulher do riso

A mulher do riso

A atriz Camila Morgado, conhecida por papéis dramáticos no início da carreira, se aproxima cada vez mais da comédia e brilha em filmes como Bem casados

» Adriana Izel
postado em 22/12/2015 00:00
 (foto: Alex Carvalho/Divulgação)
(foto: Alex Carvalho/Divulgação)




Nos últimos anos, a atriz Camila Morgado tem aparecido cada vez mais em núcleos cômicos em produções televisivas e com papéis de destaque em filmes de comédia. O que surpreende, se o início da carreira de artista nascida em Petrópolis, no Rio de Janeiro, for levada em conta. O primeiro trabalho de Camila na televisão foi como a jovem sonhadora Manuela na minissérie A casa das sete mulheres, em que vivia um par romântico com Thiago Lacerda. No ano seguinte, ela estreou no cinema em Olga, longa sobre a alemã comunista Olga Benário Prestes.


;Como Olga teve uma bilheteria muito grande e a televisão também abre para um público imenso, as pessoas acabaram me vendo como uma atriz que fazia papéis muito densos e intensos. E a gente vai ficando um pouco estigmatizado, com papéis fortes;, lembra Camila Morgado ao Correio.


A atriz conta que nunca foi sua intenção seguir apenas uma linha de atuação, mas, coincidentemente, isso ocorreu no início da carreira e, agora, vem passando por uma mudança, quando ela se aproxima da comédia. Recentemente, Camila viveu papéis cômicos de destaque como a Noêmia de Avenida Brasil (2012); a Maria Angélica de O rebu (2014); além de suas novas personagens no cinema: Penélope, em Bem casados, e Jane, em Até que a sorte nos separe 3, esse último com estreia nos cinemas no próximo dia 24.


;O caminho foi me levando, não foi algo que eu planejei, aconteceu. Eu sempre quis isso, mas sabia que levava tempo mudar como as pessoas te veem. Acho que o trabalho do ator é exatamente isso, a gente não precisa ser caracterizado por um gênero. Temos que poder fazer todos eles (os gêneros), porque é bom para mim, que eu me exercito, e para o público, que pode te ver de uma outra maneira;, analisa.


Com Penélope, de Bem casados, Camila conta que possui alguns pontos em comuns: ;a faixa etária, eu moro sozinha também, vivo do meu trabalho e sou bastante atrapalhada. Acho que isso a gente tem em comum;. Sua personagem no longa-metragem é uma mulher solteira que revoltada com o fim do seu relacionamento tenta fazer de tudo para estragar o casamento do ex, mas acaba se envolvendo com Heitor, papel de Alexandre Borges, dono de uma empresa produtora de vídeos.


;Ela é uma heroína às avessas. Quando eu li o roteiro pela primeira vez, eu tive a impressão como se ela fosse uma vilã, mas muito carismática e charmosa. Ela tenta destruir o casamento do ex-namorado. Ela tem essa prioridade na cabeça. Quando ela chega no casamento, a gente começa a mudar um pouco a visão sobre ela. Aí vem a mudança da personagem e o público se identifica. Uma pessoa que mente sim, quem não mente? Ela talvez use de alguns recursos que não sejam os mais corretos, mas ela não tem maldade;, defende a atriz.


Em Até que a sorte nos separe 3, Camila Morgado volta a dar vida à perua Jane Peixoto, a mulher de Tino (Leandro Hassum). A atriz retorna a terceira sequência após ser incorporada no segundo filme no lugar da atriz Danielle Winits. O último filme da franquia mostra como a família Peixoto ganha dinheiro de novo depois que Tino é atropelado por Tom (Bruno Gissoni), filho do homem mais rico do Brasil. O longa-metragem é a falência final da família e do Brasil, uma crítica clara a situação atual do país. ;Eu gosto desse filme porque a família é excêntrica. É um longa que você pode levar a família e cada um se identifica com uma personagem;, completa.

Parcerias repetidas
Nos dois trabalhos em que Camila Morgado estreou no cinema no fim deste ano, Bem casados e Até que a sorte nos separe 3, a atriz atuou ao lado de antigos parceiros de trabalho: Alexandre Borges e Leandro Hassum. Com Borges, a dobradinha começou em Avenida Brasil, em 2012, quando ela viveu uma das três esposas de Cadinho.


;Adoro trabalhar com o Alexandre Borges. Como pessoa, ele é extremamente afetuoso. E como ator, eu tenho extrema admiração por ele;, explica. A parceria, inclusive, cresceu em Bem casados com a presença do diretor Aluizio Abranches, que costuma trabalhar sempre com Alexandre Borges: ;Então a gente acabou criando uma família e eu sou a nova integrante. O filme fala sobre novas famílias que a gente constrói, que não precisa necessariamente ser uma de sangue, mas as que você escolhe. A gente acabou escolhendo;.
Com o humorista Leandro Hassum, a parceria se iniciou um ano depois, em 2013, com a segunda sequência do sucesso de bilheteria Até que a sorte nos separe 2 e está de volta agora com o fim da trilogia. ;Primeiro tenho muita admiração pelo Leandro (Hassum). Acho que ele é um comediante maravilhoso, de um talento extraordinário. Eu estar ali do lado, vivendo e vendo ele improvisar, colocar os cacos, a maneira como ele trabalha, para mim é muito bom;, afirma.

Duas perguntas / Camila Morgado
Nos últimos trabalhos você tem feito muitas produções de comédia, que é o oposto do início da sua carreira. Você tem alguma preferência por um gênero específico?
As coisas não acontecem de uma hora para outra. É um trabalho que é a carreira toda do ator. Mas até hoje as pessoas me olham e falam: ;você não é a Olga?; Para você ver o quanto foi forte. Por um lado, foi maravilhoso ter vivido esse personagem, e que eu tenho muito orgulho de ter feito e de ter sido convidada para fazer. Mas, por outro lado, o tamanho que ele era e como foi absorvido, isso me preocupou, porque eu tinha medo de ficar estigmatizada como uma atriz que só faz papéis assim. Por um tempo, eu acho que isso aconteceu e hoje em dia isso está mudando.

Como é o processo de desconstrução de um personagem?
Normalmente é quase uma relação de afetividade muito grande. É como se você tivesse sendo namorado por aquele personagem, vivendo uma relação amorosa e que acaba. Então você sente muita saudade. Eu sinto saudade de todos que eu fiz. Em Olga foi mais do que isso, foi difícil tanto o começo quanto o final. Eu tive dois meses e meio de preparo, depois eu filmei mais dois meses e meio. Eu tinha um dia de folga, que não era folga, porque eu tinha que decorar texto. Foi difícil, quando eu parei, eu fiquei muito mal mentalmente e fisicamente. Fisicamente porque eu estava muito magra. Eu fiquei muito frágil, eu me sentia muito fraca. Estava com a cabeça completamente raspada, quando acabou o filme, eu me olhei no espelho e eu estava um ser que nem eu me reconhecia e, ao mesmo tempo, com muita saudade do que eu tinha vivido. Era meu primeiro papel no cinema e a história era muito forte. Naquele época eu tinha 28 anos, hoje quando eu olho para trás e penso: ;Como eu dei conta?;. Quando acabou eu fiquei com muita saudade. Quando acaba você fica um pouco angustiado e triste por ter finalizado.

Principais trabalhos
; Manuela (foto) em A casa das sete mulheres (2003)

; Olga Benário em Olga (2004)

; Cacilda Becker em Um só coração (2004)

; Miss May (foto) em América (2005)

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação