Rombo externo diminui

Rombo externo diminui

postado em 24/02/2016 00:00

O deficit em transações correntes ; resultado das transações de mercadorias, serviços e rendas do Brasil com o exterior ; caiu para US$ 4,8 bilhões em janeiro, surpreendendo o Banco Central (BC) e o mercado. Foi o menor resultado para o mês desde 2009. Os analistas projetavam um rombo de US$ 5,9 bilhões, enquanto a autoridade monetária previa US$ 6,7 bilhões. Nos últimos 12 meses, o saldo negativo acumulado chegou a US$ 51,5 bilhões, mantendo a tendência de queda observada desde o ano passado.

O chefe do Departamento Econômico (Depec) do BC, Túlio Maciel, explicou que, com a fraqueza da atividade na economia brasileira e com o dólar em alta, há uma demanda menor por importações, já que empresas e consumidores demandam menos produtos estrangeiros, que, além disso, ficam mais caros. Maciel destacou ainda que o encarecimento da moeda norte-americana estimula as exportações, já que os produtos e serviços brasileiros se tornam mais baratos para compradores estrangeiros, fator que contribuiu para melhorar o resultado da balança comercial.

Maciel projetou que esse movimento pode levar o deficit em transações correntes a menos do que os US$ 41 bilhões projetados inicialmente pelo BC. Ele ainda destacou que, mesmo com a fraqueza da atividade econômica, a entrada de investimentos externos diretos, destinados à produção, continua robusta. Somente em janeiro, eles totalizaram US$ 5,4 bilhões. ;O ingresso desses recursos tem sido mais que suficientes para financiar integralmente o deficit em conta corrente;, destacou.

O chefe do Depec avaliou que, mesmo com a recessão e os problemas políticos do país, os ativos brasileiros permanecem atrativos. Segundo ele, o tamanho do mercado consumidor e a necessidade de as companhias se posicionaram pensando em resultados a médio e a longo prazos favorecem a entrada de investimentos estrangeiros no Brasil. Nos últimos 12 meses até janeiro, o volume chegou a R$ 74,8 bilhões.

Expectativas

Pelas contas do BC, em fevereiro, o deficit em transações correntes será de US$ 1,5 bilhão. Para Maciel, a previsão se justifica, em parte, pelo menor número de dias úteis no mês. No caso dos investimentos, ele informou que, até 19 de fevereiro, entraram
US$ 3,3 bilhões. Diante desse movimento, ele projeta que o mês deve fechar com ingresso de US$ 4,5 bilhões. A autoridade monetária estima que US$ 60 bilhões serão aplicados no Brasil em 2016. (AT)

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