Vera Viana

Vera Viana

postado em 06/03/2016 00:00
 (foto: Fotos: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
(foto: Fotos: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)

Chef, jornalista, 69 anos

;Não achei que ia viver até os 69 anos;, conta a jornalista e chef macrobiótica Vera Viana. Na juventude, o ex-marido dela trabalhava com Oscar Niemeyer e foram passar uma temporada na Argélia. Foi quando ela contraiu uma virose africana. Ficou entre a vida e a morte. Em Paris, onde morava, escutou dos médicos que só tinha mais dois meses de vida. Naquele país, começou a se tratar, até que decidiu voltar para o Brasil, onde queria morrer. ;Eu estava definhando. Fiquei muito frágil, dependendo dos outros para tudo.;

Em terras brasileiras, a então sogra de Vera, uma japonesa, acolheu a nora e passou a inserir comidas e tratamentos orientais na rotina dela. Na época, tinha 30 anos. Aos poucos, a jornalista foi ganhando força, conseguiu se levantar da cama e foi orientada a fazer muitos exercícios físicos. Anos depois, deu à luz por parto normal. ;Escutava o que estava me fazendo bem e fui me fortalecendo. Em 1986, abri meu restaurante macrobiótico. Recebia 50 pessoas por dia, dei muitas entrevistas na época. Estava em todo lugar. Por estresse, tive que parar por seis meses. Aprendi a me controlar, a falar não, a me fechar para algumas pessoas;, lembra.

Hoje, Vera aprendeu a se enxergar e controlar qualquer ameaça à saúde. Sabe detectar a falta de energia e faz jejuns quando se sente doente. A cabeça também é importante: ;Tudo o que acumula na mente acaba indo para o corpo. Alguma coisa desequilibra. É autoconhecimento;, afirma. Também concilia a rotina corrida na cozinha com exercícios diários para se manter ativa e saudável.

Depois de sobreviver para comentar a própria história, Vera reflete muito sobre seu papel no mundo. Descobriu que ser mulher é ter um olhar mais abrangente para as coisas simples da vida e, mais importante, é um aprendizado diário. ;É proteger os filhos e entender o momento certo de largá-los; é aproveitar muito o momento presente; é ter a serenidade da solidão, mesmo rodeado de pessoas. É preciso acalentar o interno, viver com você e, assim, ficar de bem com os outros. É aprender com os anos a ter senso e autocrítica para evoluir, e estar pronto para as mudanças da vida;, define.


Leandra Calandrini

modelo, 20 anos


Ser mulher é novidade para o corpo de Leandra, 20 anos, mas não para a sua cabeça. ;Sempre me vi mulher, só não sabia direito o que eu era. Não sabia como colocar para fora. Estava no corpo errado. Na adolescência, fui lendo e entendendo. Aprendi o que era ser transsexual;, lembra a modelo. Na escola, Leandra era alvo de muitas piadas por causa da aparência feminina e do jeito efeminado. Mas, talvez, por não ter fingido ser outra pessoa, a família a apoiou quando, em 2014, decidiu que queria seguir a vida como mulher.

O nome social é Leandra, mas a carteira de identidade estampa um nome de homem. A espera pela mudança é longa e pode durar anos. Ainda assim, ela acredita que as pessoas estão mais conscientes e que o assunto não é mais tabu. Não é um caminho simples. Há 10 meses, a modelo faz tratamento hormonal. Só daqui a um ano pode, e pretende, fazer cirurgia de mudança de sexo. Apesar de o acompanhamento psicológico ser obrigatório como parte do processo, Leandra conta que é muito bem resolvida. Mesmo assim, a imensa lista de laudos necessários para seguir o tratamento incomoda. ;Tenho que provar para outras pessoas quando já provei para mim mesma, quando já estou certa do que sou;, afirma.

Tendo vivido os dois lados da sexualidade, Leandra aprendeu a ser mulher. ;Aprendi que é bem mais do que uma imagem, é ser forte, é dar a cara a tapa. É provar a todo minuto que podemos ser melhor do que os homens. Não é fácil.;


Romy Tokarsky
farmacêutica, 30 anos


O mundo dos negócios não é um ambiente muito aberto a mulheres. Ainda há muito machismo nas salas de reunião do mundo, e é difícil conquistar espaço em um ambiente fechado. Mais complicado ainda fica quando se é jovem, bonita e mãe. É o caso de Romy Tokarsky, 30 anos, farmacêutica e empresária, também diretora da RTK Indústria, dona de marcas de dermocosméticos e nutracêuticos.

Ela lamenta que a parte mais criativa das empresas do segmento costuma ser mais feminina, mas, na maioria das vezes, a direção ainda é conduzida por um homem. ;Apesar de a área de beleza ser ligada à saúde da mulher, o lado empresarial ainda é muito masculino. Existe uma barreira a ser quebrada, que é ainda mais forte entre alguns homens mais velhos. É preciso ter sensibilidade para notar. Em algumas ocasiões, eu causava tanto desconforto nos outros, que colocava meu pai no meu lugar;, conta.

Além das dificuldades do dia a dia, ser responsável por várias empresas em processo de expansão exige dedicação. Romy não só dá conta do trabalho como ainda concilia a profissão com o desafio de cuidar dos filhos de 1 e 3 anos, respectivamente. ;Viajo, fico o dia fora de casa, mas me organizo para estar com eles o máximo possível. Meu trabalho é muito satisfatório. Sou muito focada e bem resolvida, e acho que ser mãe acaba ajudando. Temos muita responsabilidade.;

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