Nas entrelinhas

Nas entrelinhas

» Leonardo Cavalcanti leonardocavalcanti.df@dabr.com.br
postado em 20/05/2016 00:00
Sobre egos e desautorizações

A lógica da governabilidade, amarrada pelos atuais ocupantes do Planalto, passou a ser a justificativa para qualquer ato da equipe montada por Michel Temer. Os ministérios, assim, foram distribuídos para dar força às primeiras medidas. Os arautos do peemedebista fecharam no discurso de que o novo diálogo é mais eficiente do que o velho centralismo, que escanteou os congressistas do debate do poder.

Entre as razões para a queda de Dilma, está a péssima ; ou melhor, nula ; relação dela com os parlamentares. Nada mais óbvio do que o novo governo atacar tal ponto e abrir o diálogo com o Congresso. Assim, Temer fez uma escolha clara: selecionou o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles ; e gente mais técnica na área econômica ;, e abriu a porteira para as demais pastas.

Mas nada é tão simples na política. Na periferia dos ministérios mais econômicos, os movimentos dos titulares têm levado Temer a desautorizar os comandados dia após dia. Além disso, têm de conviver com arroubos ególatras de ministros mais interessados em disputar espaço e atenções na Esplanada de olho na disputa eleitoral de 2018. Os atos de políticos alçados aos postos de ministros são vexatórios.

É apenas ver as declarações e ações dos titulares da Justiça, da Saúde, do Desenvolvimento Social e Agrário, das Cidades, da Advocacia-Geral da União. Nos imbróglios, o único que poderia alegar alguma inocência é o titular da Educação e Cultura, Mendonça Filho. Ele diria que, ao assumir, pegou o pacote pronto, com a junção de ministérios. Mas não se livraria da pecha de desconhecimento das áreas.

O que se vê, depois de uma semana na Presidência da República, é a aposta total de Temer na gestão de Meirelles. Se a economia melhorar, as primeiras bobagens ditas pelos ministros ligados ao mundo político serão apenas isto, bobagens. Mas isso não significa que eles poderiam ter ajudado o chefe nos primeiros sete dias se pensassem mais nas declarações, poupando o presidente em exercício das desautorizações.

Militares

A cúpula militar decidiu deixar clara ontem a insatisfação com um trecho da resolução do PT, uma espécie de autoanálise do partido sobre o impeachment. ;(...) Fomos descuidados em (não) modificar currículos das academias militares e (não) promover oficiais com compromisso democrático e nacionalista;. ;Isso escapa à nossa postura sempre equilibrada, com ações apoiadas nos pilares da estabilidade, legalidade e legitimidade;, disse-me um general. A resolução mostra o PT sendo o PT.


Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação