Temer rebate delação de Machado

Temer rebate delação de Machado

postado em 17/06/2016 00:00
; Naira Trindade
; Paulo de Tarso Lyra

O presidente em exercício, Michel Temer, desqualificou novamente ontem, em um pronunciamento oficial no Palácio do Planalto, as acusações feitas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado de que teria pedido ajuda para financiar a campanha de Gabriel Chalita à Prefeitura de São Paulo, em 2012. ;Eu quero fazer uma declaração a respeito da manifestação irresponsável, leviana, mentirosa e criminosa do cidadão Sérgio Machado;, afirmou ele, iniciando um discurso que durou quase oito minutos.
A decisão de fazer o pronunciamento foi tomada na manhã de ontem, após o presidente em exercício constatar, com base na leitura dos jornais, que a negativa dada por ele, por meio de nota oficial, não surtira o efeito desejado. E, ao seu jeito, foi duro na resposta a Machado. ;Alguém que teria cometido aquele delito irresponsável que o cidadão Machado apontou, não teria até condições de presidir o país;, declarou.
Temer resolveu diferenciar-se da antecessora, Dilma Rousseff, afirmando que sempre responderá de imediato as acusações envolvendo seu nome. ;Nós não vamos tolerar afirmações dessa natureza. E quero revelar, agora, deixando de ser o presidente da República quem vos fala, eu quero dizer que, quando surgirem fatos dessa natureza, eu virei a público para contestá-las em benefício da harmonia do nosso país;, declarou ele.
O peemedebista considerou estranho o fato de que as denúncias tenham vindo no momento em que o Congresso retomou as votações e que o Executivo encaminhou um projeto para limitar os gastos governamentais. ;Nada embaraçará o nosso desejo, a nossa missão, a nossa tarefa. Nada impedirá que continuemos a trabalhar em prol do Brasil e do povo brasileiro.;
Integrantes mais próximos do círculo presidencial lamentaram o fato de, após uma semana em que a crise política tinha sido transferida para o Congresso, graças ao pedido de prisão feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra a cúpula do PMDB, ela tenha voltado novamente para os corredores do Planalto.
Na noite de quarta-feira, Temer recebeu um grupo de senadores para um jantar no Palácio do Jaburu ; entre eles o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). No encontro, a opinião corrente era de que as recentes delações da Lava-Jato estavam demasiadamente focadas no Planalto, na cúpula do PMDB e dos partidos mais alinhados, como o PSDB e DEM.
E que essa estratégia atiçaria os ânimos do PT e dos movimentos sociais. Tanto que uma série de invasões de prédios públicos, incluindo o anexo A do Palácio do Planalto, foram organizadas na manhã de ontem. Enquanto elas ocorriam, Temer, preocupado com os desdobramentos da crise na mídia, chamava o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, e o secretário do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI), Wellington Moreira Franco, para avaliar o caso.

Balanço

Os três decidiram, então, que era melhor um pronunciamento imediato do presidente, em vez de convocar uma cadeia de rádio e televisão para fazer um balanço da gestão amanhã à noite. Temer também consultou, por telefone, o advogado Antonio Cláudio Mariz de Oliveira para discutir a viabilidade de um processo contra Machado. Essa decisão, contudo, ainda não está tomada.
No início da noite de ontem, Machado voltou a insistir, por meio de nota, nas afirmações que constam em sua delação premiada. Ele ressaltou que, ;quando se faz acordo de colaboração, assume-se o compromisso de falar a verdade, e não se pode omitir nenhum fato. Reiterou ter se encontrado com o presidente em exercício, em setembro de 2012. ;Na conversa, o vice-presidente Michel Temer solicitou doação para a campanha eleitoral de Chalita.;
A única coisa a ser comemorada ao longo do dia de ontem foi o reatamento das relações com Renan, estremecidas após as críticas do senador de que este não era o melhor momento para enviar ao Congresso um projeto limitando o teto de gastos públicos. ;Essa citação do Machado com relação ao presidente Michel Temer, nós, que conhecíamos a relação de todos, é uma coisa mentirosa. Ele não tinha sequer essas relações com o presidente Michel para citar, para constranger Temer em uma circunstância dessa;, declarou Renan.

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