Memória

Memória

postado em 19/06/2016 00:00
Devagar quase parando

A crise na Câmara dos Deputados se iniciou muito antes do afastamento do presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ) por decisão unânime do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Desde o início do ano, as comissões estavam paralisadas. O processo de impeachment de Dilma Rousseff também colaborou para o travamento das atividades na Casa.

Plenários ficavam vazios e, sem quorum, não havia sessões. Nada era votado. Por meses, governistas e oposição esperaram a decisão da Suprema Corte sobre o processo de impeachment. Cunha já havia respondido perguntas do ministro Edson Fachin, do Supremo, sobre as ações do PCdoB que questionam a decisão dele de abrir o processo. Mas a Casa continuava estacada.

Eleito por uma grande maioria, Cunha assumiu a presidência em janeiro de 2015 sob suspeitas de envolvimento no esquema de corrupção investigado pela Operação Lava-Jato. Em janeiro de 2015, o doleiro Alberto Youssef disse, em delação premiada, que o peemedebista recebeu propinas decorrentes de um contrato das empresas Samsung e Mitsui, representadas pelo empresário Júlio Camargo, com a Petrobras. O delator afirmou que aliados do peemedebista pressionaram as empresas depois de interrupção no repasse do dinheiro. Era só o início.

Em seguida, vieram denúncias de repasses milionários. O operador do PMDB Fernando Baiano reforçou as acusações de US$ 5 milhões a Cunha e surgiram as informações de que o presidente da Câmara mantém conta na Suíça. Ele nega. Em maio, Cunha foi afastado da Câmara por ;destruir provas, pressionar testemunhas, intimidar vítimas ou obstruir as investigações (da Lava-Jato) de qualquer modo;. O pedido de afastamento levou cinco meses para ser votado pelo Supremo.

E a crise da Câmara se agravou. O vice, Waldir Maranhão (PP-MA), não consegue sequer conduzir sessões. Não tem respeito dos colegas. E a Casa não pode decidir sobre a interinidade da Presidência, por ser considerada matéria constitucional. A sobrevida está nas mãos novamente do Supremo, que poderia decidir por novas eleições. Mas isso só será possível se houver um fato motivador. Caso contrário, a crise deve perdurar até fevereiro quando acabar o mandato de presidente de Cunha.




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