360 Graus

360 Graus

por Jane Godoy janegodoy.df@dabr.com.br
postado em 19/06/2016 00:00
 (foto: Daniel Ferreira/CB/D.A Press  - 30/6/13)
(foto: Daniel Ferreira/CB/D.A Press - 30/6/13)





Para dar a cada um o que é seu


Na terça-feira (14), tivemos uma reunião com as madrinhas do Projeto Correio Braziliense Solidário para uma confraternização e exposição dos planos de ação para este ano de 2016.

Falando às madrinhas presentes, entre tantos assuntos abordados, a presidente do projeto, Nazareth Teixeira da Costa, tocou num ponto que, para mim, é de importância vital para ;a salvação da pátria;, como todos dizemos quando imaginamos uma atitude ou pessoa, que poderá mesmo consertar tudo, salvar a pátria. Em todos os sentidos. Nazareth disse: ;Precisamos saber levar essas crianças a conhecer o seu próprio país e aprender a amá-lo, ensinando a elas a respeitar a pátria, a cultuar os seus símbolos e a defendê-los como cidadãos do futuro. Por isso, vamos este ano exigir que cada uma de nossas creches assistidas coloque, em seus pátios, mastros onde deverão tremular a Bandeira Nacional!”

Dali em diante, não consegui me esquecer daquelas palavras, que me levaram novamente a navegar num assunto e numa tecla que, há anos, venho tocando e batendo aqui, de forma apaixonada: a volta do ensino da educação moral e cívica nas escolas, sejam elas desde o maternal e jardim de infância, ao ensino fundamental e médio.

Até hoje não descobri ou não me lembro do autor da lei mais estapafúrdia e equivocada da história recente deste país, aquele que, naturalmente, deveria ser ministro da Educação, que tirou do currículo escolar tão importante matéria.

Nos anos 1960, eu tive a honra e o privilégio de ministrar, para o então curso ginasial e normal do Colégio Sagrado Coração de Jesus da minha Araguari. Essa matéria, junto a outra, civilidade, ensinava os jovens a não só ter respeito pela pátria, pelos seus símbolos, que os professores explicavam o porquê e o significado de cada um mas, também, a respeitar e cultuar a família, os mais velhos, os idosos, seus semelhantes, as mulheres em particular.

Me lembro de que minhas aulas eram cheias de patriotismo e respeito, mesmo tendo eu apenas 19 anos. Aquela ;menina;, ao pisar na sala de aula, era recebida por todas as alunas de pé e, em seguida, já com a bandeira brasileira pendurada à frente do quadro negro, todas cantavam o hino nacional. Em seguida, todas se sentavam e eu começava a desenvolver o tema daquele dia, com abertura para comentários, colocações, pontos de vista.

Parando para pensar nos dias atuais (já escrevi sobre isso várias vezes), como a gente pode exigir dos jovens educação, civilidade, respeito à pátria e aos professores, aos mais velhos, se eles desconhecem tudo isso desde que nasceram e, infelizmente, não receberam da escola nenhuma noção de civilidade e educação. São de uma geração em que já não existia a exigência da matéria no currículo escolar.

Por isso, com tristeza e apreensão, estamos assistindo a um espetáculo nefasto e nebuloso, em que a esperança por dias melhores se dilui num emaranhado de preocupações e incertezas. Assistindo ao que estamos assistindo, nos decepcionando e perdendo, a cada dia, a ilusão de que ;tudo haverá de melhorar;.

Como? Se ouvimos pessoas do poder máximo da nação tratando autoridades importantes e representantes da justiça brasileira e outros com palavras de baixo calão? Será essa a ;Pátria Educadora?; Que exemplo dão aos jovens? Que argumentos pais conscientes e empenhados na educação dos filhos poderão usar, se o ;bonito; e ;engraçado; é xingar como eles xingam, quando deveriam ser os primeiros a dar e ser exemplo? É desanimador. Basta observar, nas transmissões da TV, o quanto são obrigados, a todo momento, a colocar aquele som característico de censura.

Esta semana me pareceu vislumbrar uma luz no fim do túnel, quando vi a propaganda do governo na TV, onde uma jovem fala de educação e do empenho em incutir nas crianças a volta do respeito aos professores, à escola.

Respirei aliviada, e brotou em mim um fio de esperança, embora lá no fundo do peito ainda pulse um coração desiludido e carente de novos e cristalinos horizontes.

Como, no dito popular, ;a esperança é a última que morre,; eu me proponho e peço a todos os brasileiros que façamos uma corrente positiva, que ergamos nossas cabeças e estufemos nosso peito, cheio de patriotismo, civilidade e fé, para que isso que alardearam pela TV seja mesmo verdade.

Vamos torcer para que este país ainda possa ser salvo de tudo: da má educação, em todos os sentidos, da falta de patriotismo; do amor à pátria; da falta de civilidade e respeito pois, a consequência de tudo isso é a não observância da justiça, da Constituição Brasileira, a prática do ilícito, do ilegal, a corrupção, a falcatrua, a facilidade de lesar ao próximo e ao país, sem escrúpulos, sem dor na consciência.

Infelizmente, a prática do ilícito tornou-se uma vantagem às avessas. Um mérito às avessas. O ;grande; é aquele que tira grandes proveitos de tudo e de todos, sem se importar se estão lesando o país, o estado, o próximo.

De presente, para quem não sabe, deixo aqui os três Preceitos de Direito de Eneo Domitius Ulpianus, um jurista romano, nascido em 150 d.C. Sua obra influenciou fundamentalmente a evolução dos direitos romano e bizantino.

;Honeste Vivere; ; Viver honestamente;

;Alterum Nom Laedere; ; Não lesar a outrem;

;Suum Cuique tribuere; ; Dar a cada um o que é seu.

Vamos arquivar mais um item em nossa coleção de utopias?

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