Morte de Morato é mistério

Morte de Morato é mistério

Polícia considera que o empresário pernambucano, foragido da Operação Turbulência, pode ter sofrido um infarto

Aline Moura
postado em 24/06/2016 00:00
 (foto: Nando Chiappetta/DP
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(foto: Nando Chiappetta/DP )


O secretário executivo da Defesa Social, Alexandre Lucena, praticamente descartou a hipótese de homicídio ou queima de arquivo, no caso do empresário Paulo César de Barros Morato, mas a causa ainda não é conhecida. Ele era considerado foragido da Operação Turbulência, quando foi encontrado morto, na quarta-feira à noite, em um motel da Avenida Perimetral, em Olinda. O secretário informou que os primeiros indicativos apontavam para uma morte natural, de causas ainda desconhecidas, possivelmente um infarto. Lucena fez a avaliação ao participar de uma coletiva na Secretaria de Defesa Social, ao lado da gerente-geral de Polícia Científica, Sandra Santos, e do chefe de polícia Antônio Barros.

Segundo a Polícia Federal, Paulo César Morato era considerado um dos principais líderes de um grupo criminoso. Ele teria participado de desvios de R$ 600 milhões para abastecer campanhas políticas de Pernambuco e da Região Nordeste, entre elas a do ex-governador pernambucano Eduardo Campos (PSB). O Ministério Público Federal, no entanto, o considera como um testa de ferro, por ele ter uma qualidade de vida incompatível com os bens que possui e as movimentações de sua empresa, a Câmara & Vasconcelos Locação e Terraplenagem ltda. Na conta do empresário, foram encontrados R$ 24,5 milhões.

;Por tudo que foi colhido no local, está praticamente descartada a possibilidade de um homicídio, mas é uma coisa que tem que ser investigada a fundo. Pode ter acontecido um suicídio ou morte natural;, disse o secretário. ;Todos os funcionários serão ouvidos e as imagens serão analisadas com profundidade;, disse.

Indagado pelos repórteres se não era rápido para descartar um homicídio, em virtude dos valores que Paulo César tinha em conta e de todo o esquema que podia denunciar, o secretário afirmou que a polícia trabalha com evidências e dados, e não com especulações. Ele explicou que todos os pertences encontrados no carro do empresário foram remetidos à Polícia Federal.

O chefe de polícia, Antônio Barros, disse que, no veículo do empresário, foram encontrados sete pen drives e três aparelhos de telefonia celular, além de R$ 3 mil em cédulas, uma lanterna e remédios para hipertensão e diabetes. O empresário também levava consigo quatro carteiras e três cheques em branco que pertenciam a terceiros, cujos nomes não foram revelados. Dois eram do Banco do Brasil e um do Bradesco. Segundo Antônio Barros, ele ainda portava todos os documentos, como identidade, título de eleitor e CNH, e 53 envelopes de depósito de dinheiro vazios, todos do Banco do Brasil.

O veículo levado para perícia, um Jeep Renagade, de placas KF Q 4389, não é de Paulo Morato, pertence a outro proprietário, que também não teve o nome identificado para não atrapalhar as investigações. Ele usava um relógio da marca Nixon em madrepérola, levava três pares de óculos Ray Ban, um Armani, dois óculos de sol sem marca e um outro de modelo feminino. ;Nas diligências, verificamos que existiam câmeras no local, vamos aprofundar, mas pelo que vimos, ele entrou sozinho.;

Para determinar a real causa da morte do empresário, os peritos do IML farão, nos próximos dias, uma perícia tanatoscópica, toxicológica e histopatológica do corpo. ;Estamos aguardando a resposta e nenhuma possibilidade está descartada;, afirmou Sandra Santos, gerente-geral de Polícia Científica.

;Por tudo que foi colhido no local, está praticamente descartada a possibilidade de um homicídio, mas é uma coisa que tem que ser investigada a fundo. Pode ter acontecido um suicídio ou morte natural;
Alexandre Lucena, secretário executivo da Defesa Social


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