Peso do ouro derruba meta

Peso do ouro derruba meta

Brasil soma seu maior número de conquistas numa só edição do evento, porém com menos medalhas douradas do que em Londres. Oitavo lugar frustra planos de terminar entre os cinco primeiros

postado em 19/09/2016 00:00
 (foto: Cezar Loureiro/MPIX/CPB)
(foto: Cezar Loureiro/MPIX/CPB)



Mesmo com a maior delegação da sua história ; 287 atletas ;, o Brasil não conseguiu o objetivo de alcançar a quinta colocação no quadro de medalhas dos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro. O país terminou a competição com a oitava posição geral. Teve 72 pódios, sendo 14 medalhas de ouro, 29 de prata e 29 de bronze ; a última conquista ocorreu ontem, com o terceiro lugar de Edneusa Dorta, na maratona. Como comparação, a Austrália, quinta colocada, obteve 22 ouros.

Apesar de ter conquistado o seu maior número de medalhas numa só edição, o Brasil teve menos ouros do que em Londres-2012, quando somou 21, seu recorde. Nos Jogos na Inglaterra, o país subiu 43 vezes ao pódio e se despediu com a sétima colocação.

O presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Andrew Parsons, se disse satisfeito com o resultado. ;Podemos considerar a melhor participação nossa nos Jogos Paralímpicos, apesar de não termos conseguido a meta. Era uma meta, não promessa. O CPB está extremamente satisfeito com a campanha feita aqui;, frisou.

Olhando por um ângulo positivo, ele festeja o fato de que quatro modalidades brasileiras, como canoagem, ciclismo, levantamento de peso e vôlei sentado, subiram ao pódio pela primeira vez, e outras também tiveram resultados expressivos, como tênis de mesa, hipismo e até o tiro com arco, com um quarto lugar. ;Em 2012, 23% da delegação conquistaram medalhas, agora 39% chegaram ao pódio, sendo que desta vez tivemos 106 atletas a mais do que a delegação de Londres.;

O grande destaque brasileiro, assim como em 2012, foi o nadador Daniel Dias. O paulista conquistou nove medalhas no Rio de Janeiro e chegou à incrível marca de 24 medalhas, ultrapassando o australiano Matthew Cowdrey e se tornando o maior nadador paralímpico em número de conquistas.

Dos atletas brasileiros que participaram dos Jogos do Rio, mais de 90% recebem apoio do programa Bolsa Atleta, do Ministério do Esporte. O auxílio pode chegar a R$ 15 mil, dependendo do beneficiado. Com essa e outras iniciativas, o Comitê Paralímpico Brasileiro investiu pesado no paradesporto para tentar alcançar a quinta colocação no quadro de medalhas.

O Brasil gastou mais R$ 375 milhões no ciclo, o triplo do que foi investido para a disputa da Paralimpíada de Londres. Com apoio financeiro, várias equipes brasileiras realizaram treinamentos no exterior visando os Jogos. Foi o caso da natação e do atletismo, que se prepararam na Colômbia e na Espanha.

O ministro do Esporte, Leonardo Picciani, também classificou como ;muito positiva; a participação brasileira. Mesmo abaixo da meta de medalhas, ele indicou que a delegação demonstrou ;evolução; em relação aos resultados da última edição do torneio, em Londres. Segundo ele, o governo pretende manter os programas de incentivo aos atletas para o próximo ciclo olímpico, visando Tóquio-2020.

Picciani também comemorou o resultado de vendas de ingressos para a Paralimpíada. Foram 2,1 milhões de ingressos comercializados ; a segunda melhor marca da história. A venda ficou atrás apenas da edição de Londres-2012. O Rio também registrou recorde de público no Parque Olímpico, da Barra, no sábado, com mais de 167 mil pessoas.

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