Nova guerra na Esplanada

Nova guerra na Esplanada

Após aprovação da PEC, manifestantes e policiais entraram em confronto. Oito PMs foram feridos. Ônibus foi queimado por adolescente de Curitiba, que acabou apreendido. Concessionária teve 15 carros depredados

» THIAGO SOARES » GABRIELA VINHAL
postado em 14/12/2016 00:00
 (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)




O mais importante espaço cívico da capital da República se transformou ontem em mais um palco de confronto entre manifestantes e policiais militares. A Esplanada dos Ministérios virou uma verdadeira praça de guerra no fim da tarde. Quem passava pela Rodoviária presenciou cenas assustadoras. Bombas e até mesmo um ônibus incendiado.

Cerca de 2 mil pessoas se manifestaram contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do teto de gastos, aprovada ontem no início da tarde. Depois de anunciado o resultado da votação do Senado, as apresentações artísticas e as palavras de protesto deram lugar à correria. Aproximadamente 100 pessoas foram detidas por desordem pública. Oito policiais militares ficaram feridos.

Com balões pretos, camisas pretas e bandeiras vermelhas, manifestantes se concentravam ao lado do Museu da República para protestar às 16h. A intenção do grupo era seguir em caminhada até o Congresso Nacional. Por volta das 17h, eles pediam à Polícia Militar a entrada na Esplanada de hastes de bandeiras e máscaras, o que não foi autorizado.

Durante todo o dia, foram apreendidos 300 objetos vetados. Ao menos 20 ônibus que faziam o transporte de manifestantes ao centro de Brasília foram vistoriados em rodovias. A PM apreendeu pregos, escudos e bolas de gude.




O confronto teve início quando manifestantes tentaram passar pela barreira de revista formada pela PM em frente à Catedral. Diante da insistência do grupo, os policiais usaram spray de pimenta. Algumas pessoas revidaram, arremessando cones e garrafas de vidro. Logo em seguida, a cavalaria e a infantaria do Batalhão de Choque avançaram na tentativa de dispersar os manifestantes. Muitos correram em direção à Rodoviária. Algumas pessoas que saíam do trabalho também tiveram que correr. A reportagem ajudou a socorrer uma moça que passava pelo local, e que ficou com falta de ar devido às bombas de gás lacrimogênio.

Depois do confronto inicial, o grupo se dispersou. Perto do Touring, um adolescente que veio de Curitiba, de 17 anos, ateou fogo em um ônibus da Sociedade de Transportes Coletivos de Brasília (TCB) que faz o percurso para o Aeroporto Juscelino Kubitschek. Ele foi apreendido pela PM. Parte dos manifestantes seguiu para a porta de uma emissora no Setor de Rádio e TV Norte e depois prosseguiu para a Quadra 502 Norte, onde uma agência de veículos Citroen foi depredada. Foram destruídas vidraças e 15 carros.

Na Asa Sul, o diretório do PTB e a antiga sede do Banco do Brasil também foram alvos de depredação. Com medo de terem os veículos quebrados, os motoristas recolheram os ônibus. Ao menos três foram depredados. Passageiros buscaram abrigo dentro de lojas na rodoviária. Placas de sinalização foram destruídas. O trânsito na região ficou totalmente interditado e o congestionamento tomou conta do Eixão.



Máscaras


A manifestação foi promovida pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) e entidades estudantis. A presidente da Andes, Eblin Farage, disse que o confronto só teve início devido a descumprimentos de acordos da PM e SSP-DF. ;Começou com a proibição do carro de som. Tínhamos a autorização antecipada pela SSP-DF. Os policiais não deixaram a manifestação andar, queriam que todos passassem por revistas, e não havia nenhuma policial feminina. O resultado foi esse confronto violento;, disse.

O comandante da Polícia Militar Leandro Schweitzer, chefe da ação na Esplanada, afirmou que o confronto começou depois que as pessoas se recusaram a passar pela revista. ;Eles atacaram os policiais que estavam na barreira. Nas mochilas, alguns levavam máscaras, pedaços de madeira e pedras. Já era calro que o objetivo não era fazer um protesto pacífico;, afirmou.

Os policiais feridos foram encaminhados ao Hospital de Base. Passaram por exames e tiveram alta. ;Quem não tinham nada a temer na revista por que partiu para a agressão? É triste que esses agentes de segurança saiam de casa para trabalhar e acabem atingidos;, lamentou Schweitzer.

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