Alta tensão nuclear

Alta tensão nuclear

Regime comunista multiplica os sinais de que prepara mais um teste de armas atômicas e os Estados Unidos estudam um ataque preventivo. A China fala em guerra à vista e convoca os dois países a interromper o duelo verbal

postado em 15/04/2017 00:00
 (foto: Johannes Eisele/AFP)
(foto: Johannes Eisele/AFP)




O fim de semana começou no Extremo Oriente com nervos à flor da pele e a expectativa por um novo teste de armas nucleares pela Coreia do Norte ; em meio a informações de que os Estados Unidos estariam preparando uma ação militar preventiva. O regime comunista de Pyongyang reiterou a ameaça de uma ;resposta sem piedade; a qualquer ataque americano e organizou na manhã de hoje (noite de ontem em Brasília) uma concentração de tropas na capital para demonstrar apoio ao líder Kim Jong-un e homenagear o 105; aniversário de nascimento do avô Kim Il-sung, fundador do regime ; data cogitada para a explosão atômica experimental.

As crescentes tensões na Península Coreana preocupa a vizinha China, que convocou americanos e norte-coreanos a interromper o duelo verbal antes que a situação atinga um ponto sem volta e se inicie uma guerra. ;Temos a sensação de que um conflito pode eclodir a qualquer momento. Acredito que todas as partes envolvidas devem ficar vigilantes ante essa situação;, alertou o chanceler Wang Yi. Em visita a Paris. Depois de o presidente Donald Trump ter reafirmado a determinação de ;lidar com o problema; da Coreia do Norte, se necessário pela via militar, fontes de segurança afirmaram à tevê NBC News que os EUA estão prontos para lançar um ataque preventivo, se estiverem convencidos de que o regime comunista realizará um teste nuclear.

O chanceler chinês afirmou à imprensa que ;nuvens de tempestade; estão se reunindo na região e advertiu que, caso levem a disputa às últimas consequências, os dois países terão de arcar com as consequências históricas e ;pagar o preço correspondente;. ;Múltiplas partes perderão e ninguém vencerá;, ressaltou. Yi indicou seu governo está disposto a negociar a retomada do diálogo, mesmo que sem status oficial, para evitar um confronto. Na quinta-feira, Trump disse ter ;grande confiança; na capacidade da China para ;lidar apropriadamente; com o vizinho e aliado.

O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, chega amanhã à Coreia do Sul para a primeira parada de uma viagem pela Ásia. O programa nuclear norte-coreano e o apoio americano aos aliados na região estarão na agenda de encontros, enquanto o Pentágono e os conselheiros do presidente para Defesa e Segurança estudam ;opções militares;.

O governo americano deslocou para o litoral da Península Coreana o porta-aviões Carl Vinson, escoltado por três navios lança-mísseis. A movimentação levou o regime de Kim Jong-un a advertir que ;atacaria primeiro;. Em comunicado publicado pela agência estatal KCNA, o Exército afirmou que as bases americanas na Coreia do Sul e ;todos os quartéis do Mal, incluindo a Casa Azul (palácio presidencial sul-coreano), serão pulverizados em alguns minutos;. ;Quanto mais se aproximam grandes alvos, como um porta-aviões a propulsão nuclear, maiores serão os efeitos dos ataques sem piedade;, ameaça o texto.

Uma resposta bélica, no entanto, traria danos aos parceiros dos EUA na região, em especial à Coreia do Sul. Apesar da movimentação de Washington, fontes da Casa Branca afirmaram ao jornal The Washington Post que a estratégia de Trump é exercer ;pressão máxima; sobre Pyongyang, mas sem o objetivo de promover a mudança do regime. A abordagem, porém, é vista com preocupação. Ao pedir cautela aos dois países, a Rússia, a exemplo da China, advertiu sobre a necessidade de evitar ;qualquer ação que possa ser interpretada como uma provocação;.

Celebrações
As tensões entre americanos e norte-coreano vêm se acumulando desde que o regime comunista passou a indicar que realizaria ;algo grande; para celebrar o 105; aniversário do patriarca Kim Il-sung. Imagens de satélite feitas nos últimos dias na área de testes nucleares de Punggye-ri mostraram atividades compatíveis com a preparação de uma detonação experimental. Cinco testes nucleares já foram realizados pela Coreia do Norte, dois deles no ano passado, e vários lançamentos de mísseis despertaram preocupações na comunidade internacional.

Na manhã de hoje (noite de ontem em Brasília), forças militares da Coreia do Norte se reuniram na capital do país para exibir sua força diante do líder Kim Jong-un. Centenas de caminhões cheios de soldados se alinharam às margens do rio Taedong, antes do amanhecer, para um desfile comemorativo da data, chamada no país de Dia do Sol.



Títulos e honras

Foi possivelmente na década de 1940, quando estava na União Soviética comandando a resistência à ocupação japonesa da Coreia, que KimSong-ju adotou o nome com o qual se transformaria em fundador da República Democrática Popular da Coreia. Kim Il-sung, em coreano, significa ;torne-se o sol;. E foi desse nome que derivaram outros títulos colecionados ao longo de décadas de culto à personalidade: ;Sol da Coreia;, ;Grande Líder; e ;Presidente Eterno; ; o último cunhado após sua morte, em 1994, aos 82 anos.




Poderio que assombra

Conheça algumas questões centrais a respeito das armas nucleares

Potência explosiva

A medida de grandeza criada para as a potência das explosões atômicas é o quilotom, equivalente a mil toneladas de trinitrotolueno (TNT), com seu múltiplo megatom, mil vezes mais potente. As duas bombas lançadas pelos EUA nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945, tinham, respectivamente, 15 e 17 quilotons. A primeira causou instantaneamente 140 mil mortes, e a segunda, 70 mil. O último teste nuclear realizado pela Coreia do Norte, em 9 de setembro de 2016, teve a potência estimada em 10 quilotons, maior que o das experiências anteriores.

Miniaturização

Bombas como as lançadas pelos EUA para forçar a rendição japonesa, na Segunda Guerra Mundial, deram lugar aos mísseis, que dispensam o uso de aviões. Para que possa ser instalado na ogiva de um vetor, porém, o artefato nuclear tem de ser miniaturizado. A imprensa estatal norte-coreana anunciou que o teste de setembro permitiu ao país atingir esse objetivo. Um ano atrás, o líder do regime comunista, Kim Jong-un, anunciou que o país tinha conseguido miniaturizar uma ogiva termonuclear que poderia equipar um míssil balístico, o que foi questionado por vários especialistas.

Bomba A e bomba H

Em 6 de janeiro de 2016, Pyongyang anunciou o primeiro teste bem-sucedido com uma bomba de hidrogênio, ou bomba H, outra afirmação contestada por especialistas. Esse tipo de artefato, também chamado de termonulear, produz a fusão de núcleos atômicos e libera energia

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