De São Paulo para o Distrito Federal

De São Paulo para o Distrito Federal

postado em 25/06/2017 00:00

Desde 2001, criminosos do Primeiro Comando da Capital (PCC) tentam se instalar no Complexo Penitenciário da Papuda. Do lado de fora das grades, membros da facção atuam em Planaltina, em Sobradinho e no Gama, além de outras regiões do entorno do Distrito Federal, segundo a Polícia Civil. A primeira identificação do PCC por aqui remonta a 2001, quando, em março, o maior líder do grupo, o Marcola, chegou ao Distrito Federal para cumprir pena. Em 18 de outubro de 2001, explodiu a última revolta registrada no sistema carcerário brasiliense. Desde então, são mais de 16 anos em que a facção tenta se fortalecer na região.

A prova de que essas facções tentam se infiltrar na região são os flagrantes frequentes. Em abril deste ano, a Polícia Civil cumpriu 54 mandados de prisão contra o PCC na Papuda, no Centro de Progressão Provisória e também nos presídios de Planaltina de Goiás, Luziânia, Águas Lindas e Novo Gama, no entorno de Brasília. Desse número, 43 já estavam cumprindo pena. A maior parte dos crimes cometidos pela facção é tráfico de drogas e roubos diversos.

Uma semana antes da operação, a Polícia Civil apreendeu agendas de anotações com um detento da Penitenciária de Foz do Iguaçu. Giovane de Assis é líder do PCC no presídio e, de acordo com investigações, ele coordenava a facção do Distrito Federal e entorno a distância. A comunicação com os outros presidiários ocorria por meio de visitantes, que atuam como mensageiros e entregam recados necessários para cada uma das pessoas incluídas no esquema.

O professor George Felipe de Lima, consultor de segurança pública do projeto Brasília 2060, destaca que as facções criminosas não dominam territórios no DF. ;As avaliações que vêm sendo realizadas e investigações policiais ainda não identificam a atuação de facções criminosas no Distrito Federal. Mas a experiência aponta que os espaços de poder no ambiente prisional, quando são pouco ocupados pelo poder público, criam um vácuo de poder, o que ocorreu no caso do Carandiru. Isso cria um ambiente de proliferação das organizações criminosas;, afirma o especialista.

No entanto, George Felipe alerta que as forças policiais do Distrito Federal sofrem uma deterioração em seu efetivo, o que enfraquece a luta contra o crime organizado. ;No DF nós temos atos de violência principalmente entre jovens. A violência por aqui está correlacionada com o narcotráfico, o uso de drogas, a recessão econômica e o crescimento desordenado. As políticas públicas chegam com menos força em algumas regiões;, completa George.

O problema da violência é mais grave no Entorno, como Cidade Ocidental, Valparaíso e regiões do Entorno Sul. Nesses locais os índices de violência disparam e chegam a figurar entre as cidades mais violentas do Brasil, em comparação ao número de óbitos por habitantes. Um estudo da Unicef apontou Luziânia como um dos municípios onde é maior o risco de morte entre jovens de 12 a 18 anos.

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