Da lama ao caos

Da lama ao caos

Alexandre de Paula Especial para o Correio
postado em 14/07/2017 00:00
 (foto: João Júlio Melo /Divulgação)
(foto: João Júlio Melo /Divulgação)





Cosme é um ex-catador de caranguejos no mangue carioca no século 19. Convocado para a Guerra do Paraguai, ele enlouquece no campo de batalha e, ao voltar para o Rio de Janeiro, encontra uma cidade em transformação e degradação. Essa é a base para Caranguejo overdrive, premiada peça d;Aquela Cia.

Com três prêmios Shell (conquistados em 2015) no currículo, o espetáculo fica em cartaz no Teatro da Caixa Cultural até 23 de julho. ;Já nos apresentamos mais de 160 vezes em quase todos os estados do Brasil, e o tempo tem sido benéfico.

Os atores e músicos vêm refinando a sua performance e os acontecimentos dos últimos anos no Brasil tornam o discurso cada vez mais urgente;, comenta o diretor Marco André Nunes.

A peça tem influência forte do manguebeat, movimento de Pernambuco liderado por Chico Science. ;O manguebeat é a gênese do espetáculo. A importância da obra do geógrafo Josué de Castro na poética de Chico Science é celebrada em cena. Assim, o manguebeat não está só na sonoridade da peça, mas permeia tudo. Nos apropriamos da estética da lama;, conta Marco.

Serviço
Caranguejo overdrive

Teatro da Caixa Cultural Brasília. Até 23 de julho. Quintas, sextas e sábados, às 20h, e, domingos, às 19h. Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Assinantes do Correio pagam meia. Não recomendado para
menores de 16 anos.



Sobre perdas e ganhos


Rebeca Oliveira


Primeira atuação solo do mineiro Leonardo Fernandes, Cachorro enterrado vivo ganha temporada de quase um mês no CCBB. No ano passado, ele foi reconhecido como melhor ator pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) por conta do denso papel.

O espetáculo começa de forma inusitada. O ponto de partida é o dono de um terreno. Ele aceita a proposta feita por um passante, que pede a ele para cavar cova onde seria enterrado seu cachorro. Porém, o animal ainda está vivo.

O cachorro, o proprietário do terreno e o dono do cachorro protagonizam três monólogos com questionamentos éticos que conversam entre si. Situações de perda aparecem em todas as histórias, pontuadas por humor mórbido e irônico.

Mimetizar os gestos do animal sem ficar caricato foi um dos maiores desafios de Leonardo Fernandes. Uma preparação corporal e vocal trabalhou essa questão. ;São 20 minutos de respiração em ritmo acelerado enquanto falo e me mexo. Comecei a pensar nesse cachorro como um ser humano;, diz. A peça é dirigida por Marcelo do Vale.

Serviço
Cachorro enterrado vivo

No Teatro I do CCBB (SCES, Tc. 2, Lt. 22; 3108-7600). De amanhã a domingo, às 20h. Até 30 de julho (exceto dias 22 e 29). Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Não recomendado para menores de 12 anos.

Polêmica
Pouco antes de estrear, em São Paulo, a peça chamou atenção de ativistas dos direitos dos animais. Equivocadamente, eles acharam que, de fato, um cachorro seria enterrado vivo nas apresentações.
O texto da dramaturga Daniela Pereira de Carvalho foi inspirado em um caso real que aconteceu em Santos (SP), em 2014.


Uma obra adulta com jeitão de fábula


Isabella de Andrade
Especial para o Correio


Inspirado na personagem Caipora, criada por Giselle Rodrigues, e no destaque para o movimento em cena, o espetáculo Caipora quer dormir reúne dois grandes nomes do teatro brasiliense. A direção fica por conta de Jonathan Andrade, que produziu a dramaturgia ao lado de Glauber Coradesqui.

Na peça, entram em cena algumas das angústias dos tempos modernos, mostrando o quão exaustiva pode ser uma rotina em que tudo deve ser feito. O espetáculo é adulto e tem ares de infantil, por ser uma fábula que trabalha com humor, desenho e quadrinhos.

;Muito do material vem da minha própria vida, que vinha de um cansaço de tudo aquilo que a gente tem que fazer, como professora, artista, esposa;, afirma a atriz. O espetáculo é um monólogo com poucos textos e foco no movimento corporal, mostrando em cena o rigor, a repetição e a dedicação do grupo ao trabalho.

Os artistas mergulharam na possibilidade de brincar, fabular e jogar. Na história, atriz e diretor trabalham com o fabuloso, o humano, o afetivo e toda uma ironia sobre nós mesmos, nossas supostas importâncias, nossos cotidianos sempre tão atropelados por urgências. ;Caipora é uma tentativa de um respiro no mundo;, afirma Jonathan.

Serviço
Caipora quer dormir

Teatro Plínio Marcos (Funarte). Hoje, às 20h30; amanhã, às 17h e às 20h30; domingo, às 17h e 19h30. Ingressos a R$ 10 (meia-entrada). Não recomendado para menores de 14 anos.


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