Condenada a pena alternativa

Condenada a pena alternativa

Justiça converte os dois anos de prisão da mulher que roubou um recém-nascido, no início de junho, para prestação de serviços públicos ou distribuição de cestas básicas

» OTÁVIO AUGUSTO » RICARDO FARIA Especial para o Correio
postado em 07/09/2017 00:00
 (foto: Reproduçao Facebook)
(foto: Reproduçao Facebook)

Três meses após sequestrar o recém-nascido Johny dos Santos Júnior do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), a ex-estudante de enfermagem Gesianna de Oliveira Alencar, 25 anos, ré confessa do crime, cumprirá pena alternativa, como prestação de serviços públicos ou distribuição de cestas básicas. Ontem, o juiz titular da 8; Vara Criminal do Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT), Osvaldo Tovani, converteu os dois anos de prisão por considerar que o bebê não sofreu danos e que a família da acusada cooperou com a resolução do caso.

Em mais de três horas de julgamento, os envolvidos contaram suas versões. O marido da sequestradora, o motorista Adriano Borges Pereira, 30, reforçou que não sabia da farsa. Roseana Alencar, tia da jovem, detalhou como foi procurada pela sobrinha para esconder o crime ; durante a apuração, ela ajudou os investigadores. Jorge Lima da Silva, tio de Gesianna, defendeu que a jovem tem transtornos psicológicos e faz acompanhamento médico.

Após os depoimentos, Tovani sentenciou: ;A criança foi bem cuidada. A tia ajudou nas buscas e entregou a sobrinha para a polícia. Além disso, a Gesianna precisa de ajuda psicológica;. O Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) não recorrerá. ;A decisão é correta por protegê-la e garantir a continuidade do tratamento médico;, justificou o promotor de Justiça Valmir Soares Santos. A família de Jhony não acompanhou o julgamento e preferiu não se manifestar. A jovem respondia por subtração de incapaz.

Gesianna sequestrou Johny em 6 de junho. A criança receberia alta um dia do Hran após o sequestro. Sara Maria da Silva, 20 anos, mãe da criança, havia dado à luz em um posto de saúde, na Estrutural, em 25 de maio, e, depois, levada, com o filho, para o Hran. As primeiras informações sobre o rapto surgiram quando a equipe de enfermagem deu falta da criança na maternidade. O depoimento da enfermeira Maria Helena Barbosa Campos foi essencial para o desfecho do crime. ;Eu a vi circulando pelo hospital;, contou.

A suspeita logo recaiu sobre uma mulher loira, vista carregando duas bolsas, uma azul e uma cinza. A Polícia Civil identificou Gesianna no mesmo dia. ;Ela disse que tinha muita vontade de ser mãe e que tinha pegado a criança. Mas se arrependeu do ato;, explicou Roseana Alencar. A sequestradora acabou presa em casa, no Guará 2, menos de 24 horas após o rapto. ;Eu não sabia do sequestro. Fizemos um chá de fralda para comemorar a gravidez;, contou Adriano, em seu depoimento.

Carente
Jorge Lima da Silva, tio de Gesianna, defendeu que a sobrinha sofre de transtornos psicológicos e que isso pode ter feito com que ela cometesse o crime. ;Acompanho a Gesianna nas sessões de terapia no Hospital Universitário de Brasília (HUB). Algumas vezes está bem, outras não;, ressaltou. À época do crime, a Polícia Civil interceptou mensagens de Gesianna que comprovaram a premeditação do sequestro. Cláudia Caciquinho Rocha, advogada de Gesianna concordou com a sentença. ;Ela está passando por tratamento e, jogá-la dentro de uma cela, seria muito ruim;, destacou.

A família de Jhony vive na Chácara Santa Luzia, na Estrutural. Jhony dos Santos, 21, pai da criança, trabalha como jardineiro. Sara, a mãe, se dedica aos cuidados do filho. Eles vivem num barraco de madeirite, ao lado da casa da mãe de Jhony, Dalvina Maria dos Santos, 40.


Exame psiquiátrico

O acompanhamento médico foi uma das condições para Gesianna responder o processo em liberdade. Em 13 de junho, a juíza Marília Garcia Guedes determinou que a sequestradora ficasse em liberdade provisória, após o pagamento de fiança de R$ 5 mil. À época, a magistrada ressaltou a necessidade de exame psiquiátrico.


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